Direto da Redação: Ciro Nogueira, o único adulto na sala

Com as negociações de Ciro, Bolsonaro deve voltar ao jogo eleitoral

Os pés no chão

Enquanto senadores inflavam o peito com assinaturas que sabiam inúteis, Ciro Nogueira mantinha os pés no chão. Preferiu agir com a cabeça e não com o fígado. Não assinou o impeachment de Moraes porque sabe o óbvio: Alcolumbre não pautaria nem com 81 canetadas. Ciro não joga para a plateia — ele joga para ganhar.

Foto: Reprodução
Ciro Nogueira: articulando secretamente a favor do Bozo e apanhando nas redes sociais

Impeachment de palco não se vota

Ciro Nogueira conhece os bastidores como poucos. Sabia que empurrar um impeachment de Moraes seria servir discurso quente para uma base esfomeada — mas sem resultado. Ele optou pelo pragmatismo: em vez de posar para memes, costura nos bastidores o que realmente importa — como a anistia para Bolsonaro.

No xadrez político, quem grita demais perde o controle do jogo.

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Ministro Moraes: pode mudar em relação a Bolsonaro?

Enquanto alguns marcham com cartazes, Ciro negocia com presidentes

O que se ficou sabendo é que, enquanto o Congresso era transformado num teatro de obstrução sem roteiro, Ciro estava conversando com os que decidem: Hugo Motta e Alcolumbre. Sua prioridade? Trazer Bolsonaro de volta ao jogo — com saúde, com tempo e com elegibilidade. É só questão de tempo, acredita ele.

E vai, sim…

E parece que, com as negociações de Ciro, Bolsonaro deve voltar ao jogo eleitoral. Com as negociações de Ciro, Bolsonaro deve voltar ao jogo eleitoral.

Da linha direta ao sinal ocupado

Dr. Pessoa anda ressentido — e não esconde. A uma fonte próxima, desabafou com a franqueza de quem já não tem mais o que temer:

“O Marcelo me ligava todo dia. Hoje, não atende uma ligação minha.”

O Marcelo em questão é o senador.

O velho, o medo e o silêncio

Dr. Pessoa já não tem o que perder. A reeleição ficou pelo caminho. Parte da família pulou do barco. Os aliados — aqueles que comiam na sua mão — agora fingem que nunca estiveram por perto. E isso, meu caro leitor, é mais perigoso do que qualquer dossiê.

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Dr. Pessoa o ressentido e saudoso dos banquetes que lhe ofereciam

Memória

O prefeito derrotado e isolado carrega uma munição que a política teme: memória. E não há nada mais temido em palácios e plenários do que um homem magoado com boa memória e tempo livre.

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Nada está como antes… Destes quantos ainda visitam o ex-prefeito?

Cadê o regimento?

Os deputados que lideraram um motim ocupando a Mesa da Câmara ou não leram ou não quiseram ler o Regimento Interno da Casa.

O Regimento tem instrumentos institucionais de obstrução que, se bem usados, são um poderoso meio de pressão para que se pautem projetos de interesse da minoria.

Lembrança

Dois grandes conhecedores dos regimentos do Senado e da Câmara usaram dele para obstruir e vencer.

José Genoíno, deputado pelo PT, sempre fazia praticamente sozinho a obstrução dos trabalhos, apenas usando o Regimento.

Heráclito Fortes, quando senador, fez um discurso de quatro horas e obrigou a pautarem um projeto dele simples, de compra de uma escada Magirus para o Corpo de Bombeiros do Piauí.

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O que se faz agora é uma obstrução à força, um emparedamento do Legislativo, praticamente o fechamento da Câmara em razão de uma pauta que interessa mais a uma parcela política minoritária.

Não é sem razão que uma pesquisa do Datafolha indica que, para 78% dos eleitores, deputados e senadores só cuidam de seus próprios interesses.

Júlio César

O deputado federal postou nas redes sociais: “Mais uma conquista importante para o nosso estado foi sancionada! A Lei nº 15.185, da qual fui relator na Câmara dos Deputados, garante a criação da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais no Piauí.”

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Julio Cesar: Turma Recursal em Teresina

Agilidade

Segue Júlio César: “Isso significa mais agilidade no julgamento de processos, menos sobrecarga no sistema e uma Justiça mais eficiente para quem mais precisa.”

Na capital

Com sede em Teresina, essa nova turma vai reforçar o atendimento à população e fortalecer a estrutura da Justiça Federal no nosso estado.

BNDES sonda

Empréstimos para salvar empresas atingidas por tarifas americanas

O Brasil estuda mexer no cofre público para proteger as indústrias nacionais dos impactos da nova tarifa de 50% imposta pelos EUA. Estão nos planos R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor à Exportação, via BNDES, com crédito a juro reduzido e carência para preservar empregos. Boa iniciativa.

Argentina salva a pátria — brasileira

As exportações brasileiras de veículos devem crescer 38,4% em 2025, impulsionadas pelo mercado argentino, que absorve 59% dos embarques. Enquanto isso, o mercado interno sofre.

O recado de Hugo Motta

O presidente da Câmara deixou claras duas coisas: primeiro, não negocia prerrogativas como se fosse deputado de feira; segundo, mandatos à distância não colam — especialmente quando o exercício público requer presença, regimento e respeito à legislatura.

O recado tinha como destinatário um morador dos EUA.

Moraes mantém Bolsonaro sob vigilância médica — e política

O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou ontem que Bolsonaro receba visitas de uma equipe médica em casa — contanto que qualquer internação de emergência seja informada ao tribunal em até 24 horas. Ele rejeitou ainda pedidos de políticos próximos, como Valdemar Costa Neto (PL), por visitas genéricas. Moraes mostra que, mesmo em prisão domiciliar, o ex-presidente segue sob estrito monitoramento.

Deputado estadual? Quem precisa disso?

O eleitorado de Teresina parece se recusar ao espetáculo político das eleições proporcionais: 88,5% não sabem ou não opinam em quem votariam para deputado estadual em 2026, segundo o Data AZ. Para deputado federal, o desinteresse é ainda maior — 91,5% ignoram completamente os nomes. Isso não é apatia: é revolta silenciosa. Deputado estadual virou figura decorativa num teatro governamental.

Fábio Novo ou Georgiano?

Na pouca lembrança que sobra, os nomes mais citados foram de quem já participou do palanque maior: Fábio Novo (1,13%) e Georgiano Neto (1,5%). Uns votam por memória afetiva, outros por incompetência afetiva dos demais. Mas ninguém sequer ultrapassa 2%.

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