A chama da justiça
Quem assistiu o Fantástico, no domingo passado, foi surpreendido por uma série de informações relevantes e decisivas para esclarecer os fatos que levaram à morte da menina Alice, vitimada pelo descuido ou descaso do Colégio CEV Unidade Kennedy, onde estudava. Quase nada tinha sido divulgado até então no noticiário local.
Os rastros esquecidos
Ninguém sabia, por exemplo, que trataram a tragédia com tamanha banalidade que a responsável pelo setor ou local foi simploriamente comunicar o fato ao seu superior, dizendo de um acidente sem maiores consequências, enquanto a criança já estava morta no meio do sangue que esvaía de seu corpo frágil e inocente. Um horror!
Os rastros escondidos
O pior de tudo foi saber que o colégio logo providenciou uma limpeza de toda a sala onde estava a criança, antes de a perícia chegar ao local, o que demonstra, no mínimo, falta de compromisso com a verdade , porque qualquer pessoa sabe que não pode nada ser mexido em local de um crime, ainda que acidental.
A perícia que fala
Por que modificaram os rastros do local onde se deu o sinistro que levou a criança a óbito? E quem deu essa ordem absurda? A perícia vai ter muito que explicar. Só se espera que consiga ir além dos limites de alguns dos gabinetes poderosos de plantão.
Dudu, o rombo e o edital
O áudio divulgado pela TV Blocão, em que o vereador Dudu do PT aparece falando sobre a intenção de “sentar para conversar” com interessados em um edital, tratando de cursos, abrangência, “qualificação” e até da possível destinação de emenda parlamentar, se não dor grave, é no mínimo curioso.
É o relator
A situação ganha ainda mais peso pelo fato de Dudu ser justamente o relator da CPI do Rombo, comissão responsável por investigar indícios de irregularidades na gestão de recursos públicos. A fala levanta questionamentos óbvios sobre isonomia e competitividade em processos licitatórios e expõe uma contradição: o vereador que deveria zelar pela lisura dos gastos públicos é flagrado em um diálogo que sugere aproximação indevida com potenciais licitantes.
A briga de foice dos governistas
A matemática da eleição de 2026 já anuncia um cenário de forte tensão. Hoje, das 30 vagas da Assembleia Legislativa do Piauí, o governo controla 28 cadeiras — exceção feita apenas a Bessah Sá e Gustavo Neiva. Com a redução para 24 vagas, significa que 4 governistas já entram derrotados de saída, sem espaço garantido na próxima composição.
Os 4 da oposição
Mesmo enfraquecida, a oposição deve conquistar pelo menos 4 cadeiras, repetindo a média histórica antes de ser reduzida a apenas dois nomes após a divisão nas eleições municipais de 2024.
Governo perde
Na prática, isso deixará 20 vagas em disputa para os aliados do governo, o que inevitavelmente provocará um embate interno. Em outras palavras: dos atuais 28 deputados governistas, 8 já começam a corrida “amarrados no rabo da porca”, como se diz no jargão político.
Os adesistas
Quem deve sentir mais o peso dessa conta são justamente os parlamentares que abandonaram a oposição para aderir ao governo em troca de cargos e favores. Se tivessem permanecido no campo oposicionista, teriam maiores chances de reeleição. Agora, espremidos na base, vão disputar voto a voto contra seus próprios colegas.
Sem chance
Um exemplo é o de Gracinha, que, caso tivesse mantido posição na oposição, poderia estar entre os quatro com chance de vitória. Hoje, sua sorte está vinculada à incerteza de uma base governista superlotada e em disputa interna.
Briga de foice
O resumo é duro: a eleição será uma briga de foice no escuro, e muitos governistas sairão feridos.
Flávio Dino
O Brasil está apostando na decisão do ministro Flavio Dino, em blindar o colega Alexandre de Moraes.
Apostando contra.