Veja os bastidores
A ida do advogado Chico Lucas para a Secretaria Nacional de Segurança Pública tem as digitais claras de Wellington Dias e reflexos diretos no xadrez eleitoral do Piauí.
Foi um alívio?
Fontes da coluna afirmaram que o advogado Chico Lucas recebeu o convite para assumir o cargo com grande alívio, pois já não vinha sendo prestigiado no governo Rafael Fonteles há muito tempo.
Sem consulta
Prova disso foi o fato de Chico não ter sido consultado por Rafael na escolha do seu substituto, Antônio Luís, atual secretário de Saúde, que de Segurança Pública entende o mesmo que entende sobre propulsão nuclear (ou seja, nada).
O currículo
O histórico de combate aos roubos de celulares e de enfrentamento às facções criminosas é apontado como a parte mais consistente e bem-sucedida do currículo de Chico Lucas, que chega a Brasília cercado de expectativa para assumir uma das áreas mais estratégicas do governo Lula em 2026: a Segurança Pública em período eleitoral.
Precisa mostrar serviços, mas acima de tudo, resultados.
A pena e o capital
Apesar do capital político e operacional acumulado no Piauí, Chico Lucas não leva consigo a engrenagem funcional que sustentou parte relevante desses resultados.
Ficaram de fora da transição os principais nomes do núcleo duro de combate ao crime organizado no estado, como os delegados Charles Pessoa, Matheus Zanatta e somente Anchieta Nery teria aceitado ir para Brasília. Eles, segundo a propaganda, são considerados peças-chave nas operações de maior impacto contra facções e crimes patrimoniais.
Reação na Segurança
A notícia de Antônio Luís na Segurança foi recebida muito mal pelos profissionais que dizem ter conseguido os bons resultados da segurança estadual junto com Chico Lucas.
Mudança em cadeia na Sesapi
Com a saída de Antônio Luís, o governador confirmou Dirceu Hamilton Cordeiro Campelo como novo secretário de Saúde do Estado. Médico hematologista, Dirceu atuou por mais de uma década no Hospital Albert Einstein e é pós-graduado em gestão em saúde pela mesma instituição, ao que parece, tem mais gabarito com saúde e gestão.
O jogo eleitoral
Com a jogada do Wellington Dias, Rafael perde o seu secretário mais bem avaliado e se enfraquece no jogo político eleitoral. Poucos estão percebendo, mas Wellington Dias está fazendo tudo como manda o figurino partidário interno do PT, que pode resultar na escolha do filho Vinícius para vice-governador.
Ritual
Os mais antigos dizem que Rafael Fonteles vem ignorando a ritualista petista por completo.
Interesse maior
Fontes internas do partido, que estão em Brasília, apontam que o interesse maior do partido será eleger um senador mais ligado ao PT e derrotar Ciro Nogueira. Para isso, estão fazendo pesquisas para apontar o nome mais viável do que Júlio César, que pode vir a ser até a solução para a vaga de vice-governador, o que, em tese, contemplaria a base aliada, que tem resistência ao nome do parlamentar por causa da voracidade de Georgiano, seu filho que é candidato a deputado federal.
Subserviência ou modéstia?
Perguntaram para João Madison se o MDB apoia o ex-secretário de Educação Washington Bandeira para vice.
Palavra dele: “o MDB apoia quem o PT indicar”.
Tem coisa mais óbvia. Claro que não. Ele segue a cartilha, segue a ordem. Porque pode sair Vinícius, filho de Wellington.
Posição independente
O grupo do ex-deputado federal Paes Landim vai votar nos atuais quatro pré-candidatos ao Senado: Júlio César, Thiago Junqueira, Ciro Nogueira e Marcelo Castro.
Para o governo a preferência é por Joel.
Conversa fiada
Agora já estão falando na filha do Firmino para vice de Joel.
Não tem emprego mais fácil, não?
Protagonismo forçado
Marcelo Castro anda tão empenhado em aparecer que já invade até vídeo alheio. No material produzido pela assessoria do senador Ciro, lá está ele, fazendo questão de entrar em cena e roubar alguns segundos de enquadramento.
Nos bastidores, a avaliação é de que a ansiedade por visibilidade anda maior que o roteiro. Detalhe que quase termina mal: logo no início da gravação, Marcelo se desequilibra e por pouco não vai ao chão. Só não caiu porque Átila, atento, segurou a tempo.
Parabéns
Rafael Fonteles, governador do PT, usou a expressão parabéns, em vez de congratulações ou gratidão, para se referir à nomeação de Chico Lucas para a Secretaria Nacional de Segurança Pública. É como se a nomeação pelo ministro presidente da República e seu ministro da Justiça fosse antes de prerrogativa, obrigação.
Dados
Ao parabenizar publicamente o presidente Lula e o ministro Wellington César para escolha de seu assessor, Rafael Fonteles usou dados favoráveis para considerar acertada a idade de Chico Lucas para a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
“O Estado do Piauí tem obtido expressivos resultados na redução da violência em relação a todos os tipos de crimes, com destaque para uma redução superior a 30% nos homicídios e superior a 50% nos roubos de celulares”, disse o governador.
Prioridade
O governador afirma que esses dados positivos decorrem da prioridade de sua gestão à segurança pública, além da competência e dedicação do auxiliar.
“Chegou o momento da experiência e do talento piauienses servirem à política de segurança pública de todo o Brasil”, disse.
Parabéns também
Wellington Dias parabenizou a quem precisava ser assim cumprimentado, o secretário Chico Lucas, lembrando sua condição de advogado ex-presidente da OAB-PI.
Eu ajudei
Mas para não ficar por baixo, postou na rede social X que levou a Lula seu “depoimento sobre o excelente trabalho que ele [Chico Lucas] realizou à frente da Segurança do Piauí, onde o estado avançou com integração, inteligência e resultados concretos”