Vai todo mundo perder
A tensão no governo do Piauí deixou de ser especulação. O deputado estadual João Mádison (MDB) admitiu publicamente a existência de um "mal-estar" entre o ministro Wellington Dias e o governador Rafael Fonteles. A crise, que já é tratada como um fato político público, preocupa a base governista por elevar o ruído local ao patamar nacional, com o deputado afirmando que o maior prejudicado pela falta de pacificação é o presidente Lula.
Como disse a ex-presidente Dilma: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.
Fábio Novo elegerá Ciro
A pressão do diretório estadual do PT, presidido pelo deputado Fábio Novo, não surtiu efeito sobre o prefeito de Cajueiro da Praia, Felipe Ribeiro (PT). Mesmo suspenso pelo partido por descumprimento de orientação, Ribeiro reafirmou o seu apoio "irredutível" à reeleição do senador de oposição Ciro Nogueira (PP) em encontro reservado em Brasília. O gesto é um sinal claro de uma fissura profunda na fidelidade partidária da base petista no estado. E foi seguido por muitos outros após a presão de Fábio.
PF organiza dados sigilosos de Vorcaro para envio a CPMI
A Polícia Federal ainda trabalha na organização dos dados sigilosos do Banco Master e de seu dono, Daniel Vorcaro, antes de encaminhá-los à CPMI do INSS. A medida cumpre decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que determinou a devolução dos arquivos ao colegiado, mas impôs regras rígidas para o compartilhamento das informações.
Mendonça exige preservação de garantias e compartimentação
Ao autorizar o envio do material, o ministro estabeleceu que a PF mantenha os dados sob custódia, observando garantias fundamentais, preservação da intimidade, cadeia de custódia da prova e regras de compartimentação já fixadas pela Corte. Só após essa organização técnica o conteúdo poderá ser repassado à comissão.
CPMI busca cruzar quebras de sigilo e pede prorrogação
A CPMI do INSS aguarda o material para iniciar o cruzamento das informações obtidas com quebras de sigilo bancário e telemático. O colegiado tem prazo até 28 de março para concluir os trabalhos e articula prorrogação por mais 60 dias, diante do volume de dados.
Relatoria mudou após saída de Toffoli
André Mendonça assumiu a relatoria do Caso Master após Dias Toffoli deixar o processo. Em decisão inicial, o ministro também restringiu o acesso aos detalhes do inquérito dentro da própria PF, adotando técnica de compartimentação para limitar o acesso às informações apenas aos investigadores diretamente envolvidos.
Ratinho Júnior prioriza Senado e pode sair da disputar ao Planalto
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), passou a trabalhar nos bastidores com o Senado como principal destino eleitoral em 2026, diminuindo a probabilidade de entrar na corrida presidencial. A movimentação é interpretada como cálculo político para preservar capital eleitoral e reorganizar o espaço da centro-direita.
Projeto presidencial enfrentava entraves estruturais
A construção de uma coalizão nacional competitiva, a indefinição do campo conservador e a dependência de alianças com o bolsonarismo eram vistos como obstáculos ao Planalto. Nesse contexto, o Senado surge como alternativa mais previsível, com maior probabilidade de vitória e menor risco de desgaste no Paraná.
Manutenção de influência estadual pesa na decisão
Ao mirar o Senado, Ratinho Júnior mantém influência direta sobre a sucessão no estado e preserva o controle político do grupo. A estratégia reduz o risco de fragmentação do PSD local e assegura protagonismo regional.
Mandato longo e projeção nacional
Com mandato de oito anos, o Senado oferece visibilidade e capacidade de articulação institucional relevantes. A avaliação é que a escolha consolida Ratinho como ativo estratégico da centro-direita para projetos nacionais de médio e longo prazo.
Valdemar diz que Flávio retomará negociações com partidos
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro voltará, nos próximos dias, a negociar apoio partidário para sua pré-candidatura ao Planalto. Segundo ele, o senador já procurou dirigentes do PP e do União Brasil e pretende ampliar o diálogo com outras siglas.
Busca por centro e alinhamento interno
Valdemar declarou que Flávio está em busca de “gente de centro” para fortalecer a campanha e consolidar alianças para 2026. Em reunião com parlamentares do PL, o senador teria cobrado unidade e alinhamento da bancada, destacando que o sucesso do projeto presidencial depende da coesão interna e da redução de divergências entre aliados.
Flávio ajusta discurso ao centro; Lula mantém mobilização da base
A leitura de que parte do eleitorado demonstra cansaço com a polarização levou o senador Flávio Bolsonaro a recalibrar o tom da pré-campanha presidencial, ampliando sinais ao centro político. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a estratégia de mobilizar sua base histórica, enquadrando a disputa de 2026 como um embate ideológico e social.
Duelos simbólicos já estruturam cenário de 2026
Analistas apontam que o contraste entre a moderação estratégica de Flávio e a retórica identitária de Lula começa a delinear o eixo da disputa. De um lado, o senador busca se apresentar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, com maior pragmatismo e abertura a novos públicos. De outro, Lula reforça a defesa de políticas sociais e da soberania nacional. O embate já se organiza em torno de polos como continuidade versus ruptura, Estado indutor versus ajuste fiscal e agenda social versus agenda liberal.
Haddad condiciona saída da Fazenda a agenda de Lula com Trump
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a definição sobre sua saída do cargo depende da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Segundo ele, a data pode variar conforme a eventual participação na viagem aos EUA, prevista, em tentativa de articulação, entre 15 e 20 de março.
Pressão interna e indefinição sobre o futuro no PT
Haddad disse que pretende conversar com Lula sobre a possibilidade de integrar a comitiva presidencial. A saída para se dedicar à campanha ainda é incerta, embora inicialmente tenha sinalizado desejo de deixar o ministério em fevereiro. Além disso, enfrenta pressão do PT para compor uma chapa em São Paulo, mesmo já tendo indicado não ter intenção de disputar cargo eletivo.
Zema elogia Flávio e deixa aberta possibilidade de composição
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, classificou o senador Flávio Bolsonaro como “um bom pré-candidato” à Presidência, mas reafirmou que pretende manter sua pré-campanha como cabeça de chapa. A declaração, dada ao Valor Econômico, sinaliza, no entanto, disposição para diálogo no campo da direita.
Movimento é lido como sinalização para vice
Apesar de negar formalmente a condição de vice, o gesto de elogiar Flávio e suavizar o discurso em relação ao bolsonarismo é interpretado nos bastidores como abertura para eventual composição. A mudança de tom contrasta com falas recentes em que Zema reivindicava protagonismo exclusivo na direita e sugere que o governador já começa a calibrar sua posição estratégica para 2026 na chapa Flávio-Zema.
Kassab mostra as garras e Tarcísio reage
O que era um "casamento de conveniência" entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), subiu no telhado. Interlocutores dão como certa a saída do "mago das articulações" até abril. O motivo? O apetite voraz de Kassab para inflar o PSD às custas da máquina estadual cansou o governador. Tarcísio sente que o secretário joga mais pelo próprio CNPJ partidário do que pelo projeto do Palácio dos Bandeirantes.
O fator Andorra
O clima azedou de vez com o vazamento de investigações em Andorra contra o atual vice, Felício Ramuth (PSD). No entorno de Tarcísio, a suspeita é de "fogo amigo": o vazamento teria partido de aliados de Kassab ou de André do Prado (PL), presidente da Alesp, ambos de olho na vaga de vice na chapa de reeleição. Tarcísio reagiu com desdém público, chamando o caso de "fofoca de eleição", mas, nos bastidores, a irritação com a guerra fratricida na sua base é total.
“Lealdade não é submissão"
A troca de farpas públicas entre o governador e o secretário marcou um ponto de não retorno. Após Kassab sugerir que Tarcísio deveria ter "identidade" e não "submissão" a Jair Bolsonaro, o governador rebateu na veia: disse que lealdade virou "atributo raro" na política. A leitura no Palácio é clara: Kassab tentou pautar a relação de Tarcísio com o bolsonarismo e acabou isolado.
Demonstração de força
Kassab não pretende sair por baixo. A reunião marcada para a próxima semana com os três "presidenciáveis" do PSD, Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR), é vista como um recado direto a Tarcísio de que o PSD é gigante, tem opções para 2026 e o governador precisará do partido, com ou sem Kassab no secretariado.