Direto da Redação - Quando a crise invade o financiamento eleitoral

Ceará passou a ser visto como uma alternativa para suprir a escassez de recursos dos piauienses

A crise é braba

Nos bastidores da política do Piauí, um fenômeno começa a ganhar contornos cada vez mais visíveis — e preocupantes. Os grandes construtores e fornecedores do estado, que durante décadas foram pilares de financiamento informal e apoio logístico a campanhas eleitorais, hoje enfrentam uma realidade dura: estão endividados até o limite.

Foto: Unsplash
A crise entre os fornecedores do governo atinge os financiadores de campanha. O governo deve, eles não podem ajudar o candidato

Os agiotas atrás

Dívidas com bancos, com fornecedores, com o fisco e, sobretudo, com credores não oficiais — os conhecidos agiotas — passaram a fazer parte do cotidiano de empresas que antes sustentavam campanhas, obras e projetos políticos. O setor que já foi símbolo de pujança econômica hoje opera sob pressão financeira, com margens estreitas e credibilidade abalada.

Foto: Ccom
Rafael Fonteles espera ajuda de quem está vivendo crise e fugindo dos agiotas

Novas fontes

E quando falta dinheiro no setor que tradicionalmente irrigava campanhas, a política precisa procurar novas fontes.

É nesse contexto que começa a se observar um movimento silencioso, mas intenso:

a correria de políticos e lideranças cruzando a fronteira do Piauí rumo ao Ceará em busca de financiamento eleitoral.

Não é turismo político.

É necessidade.

O Ceará, com uma economia mais robusta, maior circulação de capital e um setor empresarial mais estruturado, passou a ser visto como uma alternativa para suprir a escassez de recursos locais. Empresários, investidores e financiadores de fora do estado começam a ocupar o espaço que antes era preenchido pelos grandes construtores piauienses.

Esse deslocamento revela algo maior do que uma simples estratégia eleitoral.

Revela uma fragilidade estrutural.

Quando os principais financiadores locais entram em colapso financeiro, a política perde autonomia econômica e passa a depender de recursos externos. E dependência financeira, na política, quase sempre cobra um preço — seja em compromissos futuros, prioridades administrativas ou decisões estratégicas.

O que se vê hoje no Piauí é um ambiente em que:

• os construtores estão endividados,

• o crédito informal cresce,

• o financiamento local encolhe,

• e a política busca socorro fora do estado.

Essa combinação cria um cenário de risco institucional.

Porque campanhas caras não desaparecem — elas apenas mudam de financiador. E quando o dinheiro vem de fora, os interesses que o acompanham também vêm.

A pergunta que começa a ecoar nos bastidores é simples:

quem financiará a política do Piauí nas próximas eleições — e a que custo?

ORAÇÃO DO DIA!

Oi, Deus! Agradeço por me abençoar com tudo o que tenho hoje. Que eu não seja apenas um receptor, mas um instrumento da Tua graça, levando esperança e auxílio àqueles que necessitam. Amém!

Versículo do dia:
“Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal”.
(Salmos 41,1) BOM DIA!A PAZ DO SENHOR JESUS CRISTO 🙏

Foto: @Izanio_Charges
Tenha dó do povo, Rafael Leitoa!

Piso dos professores

O Supremo Tribunal Federal decidiu que estados e municípios devem pagar a professores substitutos, contratados sob qualquer vínculo, o mesmo piso salarial dos profissionais efetivos, ou seja, aqueles selecionados e contratados mediante concurso público.

No Piauí, desde o governo de Wellington Dias e em toda a atual administração, professores substitutos (celetistas) recebiam menos que os professores efetivos.

Menos que o piso 1

No começo deste mês, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, assinou decreto que estabeleceu o pagamento inferior ao piso nacional do magistério aos professores celetistas.

A decisão do STF coloca o decreto de Rafael na mais absoluta ilegalidade.

Foto: Reprodução
Professores do Piauí vão receber menos que o Piso nacional

Menos que o piso 2

Segundo o agora ilegal Decreto nº 24.438, o valor máximo pago aos professores com 40 horas semanais será de R$ 4.649,72, ou seja, R$ 480,91 a menos que o piso nacional do magistério, desde janeiro deste ano estabelecido em R$ 5.130,63.

Conforme a decisão do STF, o governo do Piauí deve pagar o piso do magistério, não uma parte dele aos substitutos.

Menos que o piso 3

Com isso, o governo terá de acabar com a prática de tirar, na mão grande, um ganho desses trabalhadores, porque ao cabo de 12 meses de trabalho, esses profissionais deixariam de receber R$ 5.771,92 — caso o STF não tivesse determinado ontem o pagamento integral do piso a eles.

Pensão

A viúva de um servidor estadual, Rita Soares Viana, vai receber pensão pela morte do marido, Arias Viana, no valor de R$ 665,10.

É menos que a metade de um salário mínimo.

Restrição

A Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) baixou portaria restringindo o tráfego de caroço de algodão para prevenir a “disseminação do bicudo-do-algodoeiro (‘Anthonomus grandis’) e formação de plantas tigueras”, que vêm a ser aquelas nascidas espontaneamente na lavoura, originadas de grãos ou sementes caídas da colheita anterior.

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