O aliado que emudece
Em política, ninguém grita tão alto quanto o aliado que emudece. E é exatamente isso que está acontecendo no entorno de Rafael Fonteles desde o entrevero com Wellington Dias pela escolha da vice. Petista histórico, deputado da base, prefeito aliado, secretário de primeiro escalão — todos, subitamente, descobriram o valor do silêncio.
Não falam de política. Não falam do governo. E, sobretudo, não dizem se vão votar no governador em 2026.
Esse silêncio não é casual, nem é cansaço. É bilhete sem assinatura, recado entregue sem remetente.
Quem conhece o PT piauiense sabe:
Quando o militante que defenderia Wellington no tapa começa a mudar de assunto ao ouvir o nome de Rafael, a mensagem já foi dada e recebida. Falta só o governador admitir que ouviu.
Desentendimento?
Contam os cronistas do Karnak que tudo não passou de um desentendimento pontual. Uma divergência republicana sobre nomes, daquelas que acontecem nas melhores famílias políticas. Nada que abalasse a sólida, harmoniosa e inquebrantável aliança entre o governador e seu padrinho, dizem eles.
No entanto…
Pelo menos é o que dizem — baixinho, olhando para os lados, com aquele sorriso que político usa quando precisa mentir em público.
A verdade é menos romântica. A briga pela vice foi o episódio, não o enredo. O enredo vinha se escrevendo havia meses, capítulo a capítulo, cada vez que Rafael anunciava um nome sem consultar, fechava uma porta sem avisar, construía um governo que Wellington olhava de longe e já não reconhecia como seu.
O governador queria autonomia
Um desejo legítimo, aliás. Só esqueceu o detalhe menor de que autonomia se conquista, não se decreta. E que padrinho político, quando descobre que virou paisagem, raramente se contenta com o papel.
Existe hoje, no Piauí, uma pergunta que ninguém da base governista consegue responder em voz alta.
Há uma crença recorrente entre governadores em primeiro mandato: a de que a máquina, uma vez ligada, se move por inércia. Que basta governar com competência técnica, entregar obras, cuidar dos indicadores, e o restante — base, partido, palanque — vem de brinde. É uma crença encantadora. E fatalmente equivocada.
Pacote completo
Rafael parece ter comprado o pacote completo. Tentou construir um governo tecnicamente respeitável, nem sempre conseguiu, organizou planilhas que parecem para o povão impecáveis.
Só esqueceu de que, no Piauí, a engrenagem política que o elegeu não funciona no piloto automático. Ela exige manutenção diária, carinho periódico, telefonema no aniversário, presença no velório e, o mais importante, ter o valioso óbolo.
O padrinho apadrinha
Exige, sobretudo, que o padrinho se sinta padrinho — e não convidado de última hora na festa que ele mesmo organizou.
Engana-se, por fim, quem acha que a base calada é base desorientada.
Pelo contrário: o silêncio petista atual é das manobras mais disciplinadas que se viu no Piauí recente. Ninguém ataca Rafael — seria precipitado. Ninguém defende Rafael — seria comprometedor. Todo mundo espera. Espera o gesto do governador. Espera o sinal de Wellington Dias. Espera, sobretudo, a pesquisa — aquela que vai dizer se Rafael ainda é aposta segura mesmo, já que as pesquisas dos institutos ligados ao governo não enganam mais ninguém depois do fracasso de Fábio Novo em Teresina, ou se chegou a hora de procurar outro cavalo.
É estratégia de sobrevivência, não de lealdade.
E governador que depende de lealdade condicional já sabe, no fundo, que vai ter de reconquistá-la — no voto, no cargo, ou no custo.
Rafael Fonteles, dizem os mais próximos, está tranquilo. Trabalha, despacha, inaugura muitas obras privadas e do governo federal, governa. Confia que o tempo vai reorganizar o que a política desarrumou. Pode ser.
Serenidade?
A história, porém, registra um número considerável de governadores serenos que, faltando alguns meses para a eleição, descobriram que a serenidade era apenas o silêncio da base arrumando as malas. Ainda há tempo de o governador escutar o que ninguém está dizendo.
Silêncio, afinal, também é linguagem. E esse, especificamente, anda soletrando com clareza inquietante.
ORAÇÃO DO DIA!
Oi, Deus! Gratidão por cada desafio superado, pelas batalhas vencidas e pelas promessas que o Senhor já cumpriu em minha vida.
Descanso na certeza de que tudo isso é uma preparação para as grandes coisas que ainda estão por vir. Amém!
Versículo do dia:
“Com isto conheço que tu te agradas de mim: em não triunfar contra mim o meu inimigo”.
(Salmos 41,11) BOM DIA! A PAZ DO SENHOR JESUS CRISTO 🙏
Pesquisa desestimulante
O resultado da pesquisa do instituto Veritas sobre o governo do Piauí desmoraliza os institutos do Piauí, que só apontam a gestão de Rafael acima dos 80% positiva.
O instituto nacional não vendeu resultados e registra que mais da metade dos piauienses reprova a “boa” gestão de Rafael.
Olha isso
Mais da metade dos piauienses desaprova a gestão de Rafael Fonteles, diz Instituto Veritá.
Desaprovação a Rafael Fonteles chega a 54%, diz o Instituto Veritá. A informação foi postada na tarde deste domingo no perfil da instituição no Instagram.
Mais bem avaliado
Segundo o Veritá, o mais bem avaliado governador do país é Ratinho Junior (PSD-PR), com 84% de aprovação, seguido por Ronaldo Caiado (PSD-GO), com 83%, e Jorginho Melo (PL-SC). Na parte de baixo da tabela, quem tem a pior avaliação é Wilson Lima (União Brasil-AM), com desaprovação de 74%, seguido por Fátima Bezerra (PT-RN), com 71%, e Ibaneis Rocha (MDB-DF), com 66%.
Os nomes de Ronaldo Caiado, Wilson Lima e Ibaneis Rocha, que renunciaram aos mandatos para concorrer nas eleições de outubro, aparecem na pesquisa porque ela foi feita com 40.500 brasileiros em todas as 27 unidades da Federação entre 13 de março e 4 de abril deste ano – portanto, antes do fim do prazo de desincompatibilização.
Rafael entre os negativos
A sondagem mostrou que 13 dos 27 governadores tiveram avaliação negativa. O do Piauí ocupa a posição 16 entre os mais rejeitados, tendo desaprovação menor apenas que seu colega do Maranhão, que ficou com avaliação negativa de 53%, mas, ao contrário do petista piauiense, não vai tentar a reeleição, face ao impedimento constitucional para a disputa de mais um mandato.