Direto da Redação: a armadilha das pesquisas. Lula e o risco de perder

Tem instituto que mostra que Lula está muito ruim, que a narrativa é de declínio terminal

Olhai os números

Mas essa conversa não resiste aos números. As pesquisas presenciais — mais confiáveis que as online — mostram outra realidade. A CNT/MDA, que é referência, revela que Lula vence em todos os cenários de segundo turno, com margem acima do erro estatístico.

Foto: Divulgação / InfoMoney
Lula apela por um confronto com Trump para explorar a “soberania do país” e melhorar nas pesquisas

Vantagem e o cálculo

A vantagem do presidente é sólida e vem de dois lugares: sua força própria e, principalmente, da fragilidade da direita não bolsonarista, que permanece fragmentada e incapaz de se unir em volta de um nome único.
Quem fala que Lula está destruído ignora o resultado mais importante: ele ganha em qualquer cenário contra qualquer candidato da direita. Isso não é situação de candidato em colapso.

Lula quer o confronto com Trump para subir mais nas pesquisas

Lula viveu seu melhor momento de avaliação quando enfrentou Trump no “tarifaço”. Saiu vitorioso do embate, ganhou autoridade internacional, alimentou o discurso de estadista que resiste aos caprichos do mercado global. E funcionou. Aquele foi o caminho que já deu certo.
A aposta agora é repetir a fórmula.

Novo confronto com Trump, novo pico de popularidade.

Foto: Alex Wong/Getty Images
Trump faz ouvido de mercador diante das “narrativas” de Lula

Lula sabe que, nessa arena — na disputa com o presidente americano —, ele cresce. É seu espaço natural de força. Confronto com potência global, vitória tática, discurso de resistência. É a receita que já provou funcionar. E há tempo ainda para que Trump volte à cena de forma que permita a Lula recolocar o confronto no centro da disputa política brasileira.

Bolsonaro não une a direita

O grande fracasso de Bolsonaro é justamente este: não consegue unir a direita. Aquele que prometeu ser o salvador do conservadorismo, que prometeu dar unidade ao bloco anti-PT, apenas a despedaçou.
A fragmentação é real e visível: Zema em Minas, Nunes em São Paulo, Ratinho Jr. no Paraná — cada um puxando para seu lado, cada um vendo na presidência uma oportunidade pessoal.
Essa desunião é tudo. Explica completamente por que Lula está onde está. Não é gênio político presidencial. É direita fragmentada, incapaz de construir projeto alternativo coeso, algo que tenha um projeto de país, de desenvolvimento. A direita não entrega isso, somente trabalha na rejeição a Lula, ao PT, abusando de fake news e de um discurso etarista. Multiplica-se candidatos na direita e enfraquece-se qualquer chance de construir narrativa unificada. Bolsonaro prometeu unir; deixou destroços. E Lula colhe o resultado.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Flávio Bolsonaro, o pavor de Lula e dos petistas

Zema: o esperto que criou os “intocáveis”

Enquanto a direita se fragmenta, Zema faz jogo diferente. Criou os “intocáveis” contra ministros do STF — tática de confronto controlado, barulho o suficiente para ganhar visibilidade, moderado o bastante para evitar consequências maiores. É confrontação à la carte.
E aqui vem o trunfo político: coleciona vexames — impeachment na Câmara, confusão institucional, derrotas processuais — e transforma tudo em narrativa de perseguição.

Foto: Reprodução
Zema tira proveito do sensacionalismo e cria os “intocáveis” no  STF

Vira vítima sofisticada

Zema usa a inimizade com o Judiciário não para se destruir, mas para se posicionar como resistência, aquele que enfrenta mesmo perdendo.
O risco real está adiante: se o STF resolver avançar demais contra Zema, a vítima vira verdadeira — e aí cresce exponencialmente. Mas, enquanto isso não acontece, ele surfa na imagem de quem desafia.

Foto: Gustavo Moreno/STF
Gilmar Mendes pede a inclusão de Zema no inquérito das fake news

No final, os números não mentem

Os números de Lula não são misteriosos. Ele ainda consegue estar na liderança porque a direita não consegue se unir, muito menos ter um projeto de país, de desenvolvimento nacional, prefere o discurso da desigualdade e beneficiando, obviamente, a poucos, sempre atendendo aos interesses dos EUA e dos seus bilionários.

O tarifaço

O tarifaço com Trump mostrou qual é seu melhor material — confrontação com potência, vitória tática. Bolsonaro prometeu unir e deixou cacos. E Zema? Segue transformando cada derrota institucional em narrativa de resistência e de vitimismo, daquele que gosta de comer banana com casca na internet.
Faltam cinco meses. Tudo pode mudar, mas, por enquanto, a conta é simples, o resto é torcida.

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