A disputa sobe de nível
A novela judicial em torno do show “AUREA – Alok e Convidados” ganha novos capítulos. Após sucessivas decisões mantendo a suspensão do evento, a Kalor Produções prepara novo movimento e deve recorrer diretamente ao presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, tentativa mais alta dentro da própria Corte para reverter o bloqueio.
Recursos rejeitados
Até aqui, os pedidos apresentados — tanto pela produtora quanto pelo Governo do Estado — não conseguiram derrubar a liminar que barrou o repasse de R$ 1,8 milhão. O entendimento predominante no TJ tem sido o de que há risco ao erário e que o interesse público deve prevalecer neste momento.
O detalhe da hora
A decisão do desembargador Hilo de Almeida foi tomada às 1h10 dessa madrugada.
Enfim, advogados e empresários não dormiram, porque amanheceram protocolando recursos.
Bastidores jurídicos
Nos corredores do Judiciário, um nome já circula com frequência: o advogado Igor Martins, que tem atuado de forma intensa na articulação jurídica do caso. Segundo interlocutores, ele já estaria batendo à porta de desembargadores em busca de uma decisão que permita a realização do evento.
Estratégia final
A aposta agora é no chamado pedido de suspensão ao presidente do TJ, instrumento que pode derrubar a liminar sob o argumento de risco à ordem ou à economia pública. É, na prática, a cartada mais forte da defesa neste momento.
Clima de pressão
Enquanto isso, o caso ganha contornos políticos e institucionais cada vez mais sensíveis. De um lado, o discurso de impacto econômico e geração de empregos; do outro, a leitura de que o gasto é questionável diante do cenário fiscal do Estado.
Jogo aberto
Com decisões já desfavoráveis em sequência, a disputa entra em fase decisiva. Se o presidente do TJ mantiver a linha adotada até agora, o show seguirá suspenso. Caso contrário, o evento pode voltar ao radar — mas sob forte contestação.
Rafael, ninguém é menino!
A contratação do Alok por meio de patrocínio à Kalor Produções, além de imoral (pelo valor expressivo), é ilegal, pois a Lei 14.133/2021 exige que a contratação de artistas por inexigibilidade de licitação ocorra diretamente com o profissional ou através de seu empresário exclusivo. A própria lei define que o empresário exclusivo é aquele que possui um contrato de representação permanente e contínuo, afastando expressamente a validade de intermediários que detêm apenas uma autorização para um evento ou local específico.
Enfim, a Kalor entra na história só pra inflar custos e garantir os extras.
A canoa trepada
A Antonia e outros moradores apelam a Rafael Fonteles para “desatrepar” uma canoa que o governo pendurou a uma altura de mais de 10 metros lá no Porto dos Tatus.
“Aqui, nós movimentamos canoas dentro da água”, ironiza Antonia.
Outro show cancelado
O show “gratuito” do cantor Léo Santana, que seria realizado no município de Angical do Piauí, foi cancelado pela prefeitura, anteontem. A apresentação estava orçada em cerca de R$ 650 mil.
Um absurdo. Os cachês deles são bem inferiores, mas quando envolve dinheiro público o valor aumenta para permitir o velho cabo racha.
Setur, calçamento, festas e eventos
Além de fazer calçamento em cidades sem nenhum atrativo turístico, a Secretaria de Turismo do Piauí é agora promotora de shows. O do DJ Alok, pago com dinheiro público – incluindo do Banco do Brasil – é parte deste portfólio.
Isso, evidentemente, não faz crescer o turismo no Piauí, mas alavanca algumas contas bancárias bem específicas.
Distinção social - pobres aqui, ricos ali
O show de Alok em Teresina separa pobres de ricos, porque há espaços pagos e muito caros para a elite econômica que pode pagar por isso e o rés do chão para o povaréu.
Fica-se imaginando que tipo de crítica virulenta faria o PT se esse tipo de “apartheid do entretenimento” ocorresse em governo de um partido de direita.
Ato de caridade?
O governo jura de pés juntos que o DJ Alok veio a Teresina fazer não um show, mas um ato de caridade. O governador Rafael posta em rede social que o artista não cobrou cachê.
Olha lá! Os documentos oficiais desmentem-no, gritam a gastança de dinheiro público.
Rafael Fonteles posta em rede social vídeo visitando a arena particular em que se faz show com dinheiro público, como se fosse um promoter.
O papel de promoter do governador
O que se indaga é como um governador que se vende para os eleitores e para outros públicos como um homem de futuro, que está construindo um novo modo de governança, que projeta um Piauí na nova economia digital, se deixa agir como um gestor que patrocina pão e circo à cata de eleitores?
Obras? Serviços?
Se o governador promove uma festa cujo efeito econômico é tão efêmero quanto ela própria, só enriquecendo uns poucos que estão por trás da promoção, a impressão que passa é de que não tem muito a oferecer e a entregar aos eleitores que lhe confiaram o mandato.
Se não tem muito a oferecer, promove festa e diversão, que não resolvem problemas reais, mas podem fazer com que as pessoas os esqueçam.