A Uefa, entidade que comanda o futebol europeu, iniciou uma ofensiva judicial contra a proposta da Fifa de comercializar direitos ligados às competições de seleções. O órgão pediu a um tribunal federal dos Estados Unidos acesso a documentos e depoimentos que podem embasar uma futura ação na Justiça suíça contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Segundo a Reuters, o pedido envolve duas entidades da Fifa sediadas na Flórida. A Uefa sustenta que essas organizações podem ter informações importantes sobre a criação, estruturação, avaliação e aprovação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa planejada pela entidade para administrar investimentos privados relacionados aos direitos comerciais do futebol.
A iniciativa ocorre um dia depois de a Uefa recuar da ameaça de boicote às competições da Fifa. A entidade havia cogitado não participar de futuras Copas do Mundo em reação ao projeto, mas mudou de posição após receber garantias de que a proposta não avançaria.
A disputa, no entanto, permanece. Para a Uefa, Infantino teria conduzido o projeto de maneira reservada, com participação de um grupo restrito de assessores e investidores. A entidade afirma que os procedimentos regulares de governança da Fifa teriam sido ignorados e que não houve consulta adequada ao Conselho da organização, às confederações regionais e às federações nacionais.
Infantino não se manifestou até o momento sobre o pedido judicial.
Como funcionaria a FFE
A proposta da Fifa prevê a criação da Fifa Forward Enterprise, uma empresa privada controlada pela própria entidade. A estrutura permitiria a entrada de investidores privados por meio da venda de participações minoritárias.
A expectativa apresentada pela Fifa era levantar até US$ 4,2 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 21,4 bilhões. A entidade manteria a participação majoritária e, portanto, o controle da empresa.
O projeto ganhou força após a Copa do Mundo de 2026, quando a Fifa passou a discutir a possibilidade de comercializar direitos de transmissão das competições de seleções por meio da nova estrutura.
A proposta provocou forte reação entre as entidades europeias. A Uefa chegou a ameaçar um boicote, em uma medida que poderia provocar uma crise sem precedentes na relação entre as duas organizações.
O recuo da entidade europeia não encerrou o conflito. Ao buscar documentos e testemunhas nos Estados Unidos, a Uefa sinaliza que pretende manter a contestação por vias judiciais, enquanto tenta esclarecer como o projeto foi concebido e conduzido dentro da Fifa.