Mesmo mais baratos, arroz e feijão saem do prato do brasileiro, diz levantamento

Consumo dos dois itens caiu mais de 4% no semestre, apesar de redução de até 17% no preço

Mesmo com preços mais baixos, o tradicional arroz com feijão está sendo cada vez menos consumido no Brasil. Segundo levantamento da Scanntech divulgado pela CNN, o consumo de arroz caiu 4,7% e o de feijão, 4,2%, no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda surpreende, pois ambos os alimentos registraram forte retração nos preços: o arroz ficou 14,2% mais barato e o feijão, 17,5%.

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Os dados contrastam com o comportamento de outros alimentos como o leite UHT, cujo consumo também caiu, mas por motivo inverso: uma alta de 8,5% no preço. Segundo o IBGE, nos 12 meses até junho, o arroz teve queda de 16,77% e os diversos tipos de feijão caíram entre 3,44% e 21,37%. Em contrapartida, o grupo de leites e derivados subiu 3,45% no IPCA, índice que mede a inflação oficial.

A perda de espaço do arroz e do feijão não é recente. Dados da Embrapa apontam que, desde 1985, o consumo per capita de arroz caiu de 40 kg para 28,2 kg ao ano, e o de feijão, de 19 kg para 12,8 kg. A tendência é reflexo de transformações econômicas, sociais e culturais. Famílias menores, urbanização crescente e a rotina mais corrida tornam o preparo desses alimentos menos prático para o dia a dia.

"Arroz e feijão são a essência da alimentação brasileira, mas estão perdendo espaço por fatores como o tamanho dos lares e a falta de tempo para cozinhar", explica Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech. Ela aponta que, para casais ou pessoas que moram sozinhas, preparar e estocar arroz e feijão tornou-se mais trabalhoso. A mudança no perfil das famílias e do estilo de vida está transformando, aos poucos, a identidade alimentar do país.

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