Estudo aponta fatores que aumentam risco de tentativa de suicídio entre jovens

Pesquisa acompanhou crianças por 15 anos e identificou traumas, TDAH e histórico familiar

Por Redação Portal AZ,

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros identificou os principais fatores associados às tentativas de suicídio entre adolescentes e jovens adultos. A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, acompanhou mais de 2 mil crianças durante 15 anos e apontou que traumas na infância, transtornos comportamentais e histórico familiar estão entre os principais preditores do risco.

Foto: ReproduçãoPesquisa brasileira acompanhou mais de 2 mil crianças por 15 anos para investigar fatores de risco.
Pesquisa brasileira acompanhou mais de 2 mil crianças por 15 anos para investigar fatores de risco.

Pesquisadores brasileiros acompanharam 2.060 crianças e adolescentes por um período de 15 anos para identificar fatores presentes na infância capazes de prever tentativas de suicídio na juventude. O estudo, publicado em junho na revista The Lancet Regional Health – Americas, destaca que experiências traumáticas, transtornos de comportamento e antecedentes familiares estão entre os principais fatores associados ao problema.

A pesquisa foi desenvolvida com participantes da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais, considerada uma das maiores iniciativas do mundo voltadas ao estudo das origens genéticas e ambientais dos transtornos mentais. Os voluntários tinham entre 6 e 14 anos no início do acompanhamento.

Ao longo do estudo, 309 participantes — o equivalente a 15% da amostra — relataram pelo menos uma tentativa de suicídio. A idade média da primeira ocorrência foi de 17,8 anos.

Entre os fatores que mais influenciaram o risco estão o sexo feminino e a exposição a traumas na infância, especialmente casos de bullying e abuso físico. As meninas apresentaram um risco aproximadamente três vezes maior de tentativa de suicídio em comparação aos meninos.

Os pesquisadores também identificaram associação entre o risco de tentativa de suicídio e a presença de transtornos externalizantes, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e o transtorno de conduta, além do histórico de comportamento suicida do principal cuidador da criança. Esses fatores também estiveram relacionados ao início mais precoce das tentativas.

Nos casos considerados mais graves, o estudo encontrou associação com predisposição genética para depressão, traumas vividos na infância e consumo de álcool pela mãe durante a gestação.

Entre os traumas analisados, o bullying teve um dos maiores impactos. Segundo os pesquisadores, essa forma de violência respondeu por cerca de 24% do risco associado às experiências traumáticas, reforçando a importância de políticas de prevenção no ambiente escolar.

A análise também avaliou fatores considerados modificáveis, ou seja, passíveis de intervenção. O histórico de tentativa de suicídio por parte do cuidador foi responsável pela maior parcela dos casos observados, seguido por transtornos mentais dos responsáveis, como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático, além da exposição a traumas na infância e de transtornos comportamentais.

Para o coordenador do estudo, Rodolfo Furlan Damiano, os resultados reforçam que a identificação precoce de fatores de risco pode orientar estratégias de prevenção. Segundo o pesquisador, experiências adversas na infância, violência e bullying devem ser tratados como questões de saúde pública, envolvendo escolas, famílias e serviços de saúde na construção de ações preventivas.

Se você ou alguém que conhece apresenta sinais de sofrimento emocional ou fala sobre suicídio, procure ajuda profissional. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188 e por atendimento on-line, além dos serviços de saúde da rede pública.

Fonte: Agência Fapesp

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