O dólar encerrou a terça-feira (12) cotado a R$ 5,3870, em queda de 1,01% e no menor patamar desde 14 de junho de 2024, quando fechou a R$ 5,3821. A desvalorização ocorreu em sintonia com o cenário externo, após dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos reforçarem expectativas de que o Federal Reserve inicie o corte de juros já em setembro. No mercado internacional, o real foi a segunda moeda emergente com melhor desempenho do dia, atrás apenas do peso colombiano.
No Brasil, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, com alta de 0,26% — abaixo do esperado pelo mercado — contribuiu para reduzir a percepção de risco econômico. Especialistas avaliam que, mesmo com a possibilidade de o Banco Central iniciar a redução da Selic em janeiro de 2026, o diferencial entre os juros internos e externos deve seguir elevado, sustentando a valorização da moeda brasileira frente ao dólar.
A trajetória de queda já vinha sendo prevista por analistas como o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, que projeta o câmbio entre R$ 5,30 e R$ 5,40 no fim de 2025. Segundo ele, a atratividade do Brasil para o “carry trade” — estratégia de investidores que se beneficiam de juros mais altos no país — é um dos principais motores dessa valorização. Oliveira afirma ainda que a tendência é de queda adicional do dólar nos próximos meses, ainda que de forma mais moderada.
O Dollar Index (DXY), que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, registrou queda de mais de 0,40% no fim da tarde, para a casa dos 98 mil pontos, acumulando baixa de 1,90% em agosto. Para o chefe da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, o movimento de apreciação do real também foi impulsionado pela ampliação do prazo de negociação de tarifas entre Estados Unidos e China, o que favorece ativos de risco e moedas de países emergentes.