Estudo da Câmara prevê dívida pública acima de 100% do PIB até 2035

Análise aponta necessidade de ajuste anual de R$ 330 bilhões para conter endividamento

Por Redação Portal AZ,

Um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados projeta que a dívida pública brasileira poderá superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2032 e 2035, em cenário que contraria as estimativas do governo federal. O levantamento defende reformas estruturais e estima que seriam necessários ajustes anuais de R$ 330 bilhões para estabilizar o endividamento.

Foto: Reprodução/FreepikPIB brasileiro surpreende com alta acima das expectativas, mas economistas alertam para freio.
PIB brasileiro surpreende com alta acima das expectativas, mas economistas alertam para freio.

Um levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados acende um alerta para a trajetória das contas públicas brasileiras. De acordo com a análise técnica, a dívida pública poderá ultrapassar a marca de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2032 e 2035, contrariando as projeções do governo federal, que prevê melhora do quadro fiscal a partir de 2029.

O estudo, elaborado pelo consultor Paulo Bijos, atribui o cenário ao que chama de "fadiga fiscal", situação em que o Estado enfrenta limitações para ampliar a arrecadação devido à resistência política e social a novos tributos, ao mesmo tempo em que as despesas obrigatórias continuam crescendo, impulsionadas principalmente pelo envelhecimento da população.

Segundo os cálculos apresentados, seria necessário um ajuste permanente de aproximadamente R$ 330 bilhões por ano, seja por meio da redução de gastos, do aumento de receitas ou da combinação de ambas as medidas, para estabilizar a dívida pública em torno de 80% do PIB. O valor supera todas as despesas discricionárias previstas no Orçamento de 2026, estimadas em R$ 240 bilhões.

O estudo também destaca que o Brasil possui menor margem para sustentar elevados níveis de endividamento em comparação com economias desenvolvidas, como o Japão, devido ao ambiente de juros mais altos. Na avaliação técnica, a dívida brasileira encontraria um limite de sustentabilidade próximo de 103,3% do PIB.

A análise ainda aponta que o próximo governo terá um prazo considerado decisivo para apresentar uma estratégia de reequilíbrio fiscal. A data-limite é 15 de abril de 2027, quando deverá ser encaminhado ao Congresso o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2028. Segundo o relatório, a proximidade do calendário eleitoral tende a adiar a discussão de reformas estruturais, reduzindo o espaço para medidas de ajuste e aumentando a pressão sobre as contas públicas nos próximos anos.

Fonte: Correio Braziliense

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