O Brasil, líder mundial na produção de soja, enfrenta sérios desafios que ameaçam sua posição no mercado global. Dados do Instituto Escolhas revelam que, apesar do crescimento de 560% na produção nos últimos 30 anos, a produtividade por hectare aumentou apenas 61%, enquanto o consumo de agrotóxicos e fertilizantes disparou, indicando um modelo insustentável e economicamente oneroso para os produtores.
A atual dependência de insumos importados, especialmente fertilizantes e agrotóxicos, eleva os custos de produção e expõe o setor a riscos cambiais e geopolíticos. Além disso, o modelo monocultor adotado degrada o solo e reduz a biodiversidade local, tornando a soja mais suscetível a pragas e doenças, o que obriga o uso crescente de defensivos químicos. Para especialistas, essa realidade exige uma transição urgente para práticas mais sustentáveis.
A agricultura regenerativa surge como alternativa viável para reverter esse quadro, promovendo o uso de bioinsumos e a recuperação do solo sem comprometer a produtividade. No entanto, a adoção desses métodos ainda é lenta e limitada, com apenas 13% dos produtos registrados pelo Ibama sendo bioinsumos. A recente regulamentação desses insumos, aprovada em 2024, e o aumento do investimento público são apontados como passos necessários para acelerar essa transformação.
Representantes da indústria e pesquisadores reforçam a importância de um esforço conjunto entre produtores, indústria e governo para viabilizar a transição. A criação de um grupo tripartite para discutir a agricultura regenerativa em larga escala é vista como fundamental. Além disso, entende-se que a análise da produtividade da soja deve considerar o sistema de rotação com outras culturas, como o milho, para garantir a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro no futuro.