Déficit das estatais federais dobra e atinge R$ 8,9 bilhões em 12 meses

Governo amplia gastos para manter funcionamento das empresas públicas.

As empresas estatais controladas pelo governo federal acumularam um déficit de R$ 8,9 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado representa mais que o dobro do prejuízo registrado no mesmo período até agosto de 2024, indicando um agravamento nas contas das companhias públicas.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Correios

Com o aumento dos prejuízos, o governo precisou reforçar os repasses do Tesouro Nacional para garantir o funcionamento das estatais. Segundo o levantamento, as subvenções federais, transferências diretas para custear despesas e investimentos, somaram R$ 27 bilhões em 2024, um acréscimo de R$ 3 bilhões em relação ao ano anterior.

Entre as empresas que mais receberam recursos do Tesouro está a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), vinculada ao Ministério da Educação, responsável pela gestão dos hospitais universitários federais. Somente a Ebserh recebeu cerca de R$ 11,5 bilhões em transferências.

Na sequência, aparece a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), considerada estratégica para o desenvolvimento tecnológico do agronegócio brasileiro.

O caso dos Correios é um dos que mais chamam atenção no cenário de deterioração fiscal das estatais. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 4 bilhões no primeiro semestre de 2025, mesmo com o aumento da receita com vendas e serviços, que chegou a R$ 8 bilhões. O resultado negativo representa uma alta de 220% nas perdas em comparação ao mesmo período do ano passado.

Segundo analistas, o aumento dos custos operacionais e das despesas administrativas explica a piora nas contas da companhia, que vem enfrentando desafios para se adaptar à concorrência do setor privado e à queda na demanda por serviços postais tradicionais.

O aumento do déficit das estatais ocorre em um momento de pressão sobre o equilíbrio fiscal do governo federal. Além de sustentar as empresas públicas deficitárias, a União tenta cumprir a meta fiscal e conter o avanço das despesas obrigatórias.

O Tribunal de Contas da União (TCU), inclusive, analisa recursos relacionados à política fiscal do governo e vem alertando para o impacto do desempenho das estatais nas contas públicas.

Especialistas afirmam que, se o ritmo de prejuízos se mantiver, o Tesouro Nacional poderá ser obrigado a aumentar ainda mais os repasses, o que tende a dificultar o cumprimento da meta de resultado primário e elevar a pressão sobre o orçamento da União.
 

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