A Ferrovia Transnordestina realizou neste domingo um novo teste operacional no eixo entre Piauí e Ceará, transportando 20 vagões de sorgo em mais um passo para a consolidação do corredor ferroviário.
A composição partiu às 14h de Bela Vista, no sul do Piauí, com destino ao Terminal Integrador de Iguatu, no Ceará, onde a chegada estava prevista para a madrugada desta segunda-feira. A carga, destinada a granjas, reforça o uso da ferrovia para o escoamento de produtos do agronegócio nordestino.
O teste ocorre 24 dias depois da primeira viagem experimental no mesmo trecho, quando mil toneladas de milho percorreram 585 quilômetros em cerca de 12 horas. A repetição da rota, agora com outro tipo de grão, sinaliza a transição da obra para uma fase de verificação mais próxima da operação regular.
A previsão do governo federal é que a Transnordestina esteja totalmente concluída em 2028. Para a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, responsável por parte do financiamento, os testes já demonstram que o projeto deixou de ser apenas uma promessa de longo prazo e passou a apresentar resultados práticos na logística regional.
Somente no fim de dezembro, R$ 700 milhões foram liberados para a obra por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, elevando para mais de R$ 5,3 bilhões o volume total de recursos destinados ao empreendimento. Também foram somados R$ 800 milhões oriundos do Fundo de Investimentos do Nordeste, assegurando a continuidade dos contratos e das frentes de trabalho ao longo do traçado.
Atualmente, todos os lotes da ferrovia estão contratados. Os trechos 9 e 10, que ligam Baturité a Caucaia, no Ceará, são considerados os mais complexos e decisivos para a conclusão da chamada Fase 1, prevista para 2027, que permitirá a conexão direta ao Porto do Pecém.
Com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, a Transnordestina foi concebida para integrar o interior produtivo do Nordeste aos portos marítimos. A expectativa é reduzir custos de transporte, ampliar a competitividade de cadeias agrícolas e industriais e reposicionar a região nos fluxos logísticos nacionais e internacionais.