O Banco Central (BC) decretou liquidações extrajudiciais de duas instituições financeiras envolvidas em um dos mais complexos casos recentes do sistema financeiro nacional: o Banco Master e a gestora Reag Investimentos. A medida ocorreu após investigação de graves irregularidades, incluindo supostas fraudes bilionárias e uso indevido de fundos de investimento, o que levantou dúvidas sobre a sustentabilidade das operações e a proteção dos recursos de clientes e investidores.
O Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, cresceu rapidamente nos últimos anos oferecendo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades muito acima do mercado, mas enfrentou crise de liquidez e práticas que inflaram artificialmente seu balanço. O BC identificou desvios de cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações entre empresas “laranja” e fundos administrados pela Reag, mascarando ativos sem valor real e criando operações que lembram um esquema de pirâmide financeira.
A Reag Investimentos, que atuava como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que apura fraudes financeiras ligadas ao Master. Em 15 de janeiro, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial por descumprimento grave das normas do Sistema Financeiro Nacional, determinando o encerramento de suas atividades e a nomeação de um liquidante independente para conduzir o processo.
As liquidações têm impactos diretos para os investidores: clientes do Banco Master com depósitos de até R$ 250 mil começarão a receber ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que estima desembolsar cerca de R$ 41 bilhões; já os fundos administrados pela Reag não contam com proteção do FGC e precisam buscar nova gestão, o que pode gerar incertezas para cotistas, especialmente fundos de pensão e grandes investidores que aplicaram recursos sem cobertura garantida.