Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, a Nota Fiscal Nacional (NFN) unificou os modelos fiscais no país, mas tem gerado entraves operacionais em clínicas, hospitais e laboratórios, que ainda operam com sistemas antigos e enfrentam rejeição de documentos e aumento de custos.
A adoção da Nota Fiscal Nacional passou a ser obrigatória para todos os estabelecimentos comerciais, substituindo os diferentes modelos usados por estados e municípios. A proposta é criar um padrão único, com mais transparência e rastreabilidade das operações. No setor da saúde, no entanto, a transição tem sido marcada por dificuldades técnicas e impacto direto na rotina de atendimento.
Grande parte das clínicas, hospitais e laboratórios ainda utiliza sistemas desenvolvidos para regras municipais, o que tem provocado falhas no preenchimento de dados exigidos pelo novo modelo. O resultado são notas fiscais rejeitadas, necessidade de retrabalho e dependência maior de contadores ou empresas terceirizadas para regularizar a emissão dos documentos.
Segundo Cláudio Franco, CEO da healthtech Tivita, o problema está na defasagem dos sistemas internos. “Muitos estabelecimentos de saúde ainda utilizam plataformas desenhadas para regras locais de prefeitura, com cadastros incompletos ou pouco estruturados. Isso se traduz em rejeição de notas, retrabalho e maior dependência do contador quando os processos não estão bem organizados”, afirma.
Além do impacto operacional, a adaptação à NFN tem elevado os custos do setor, especialmente em unidades com grande volume de atendimentos. A busca por soluções externas para emissão correta das notas e os atrasos no faturamento comprometem o fluxo financeiro de clínicas e hospitais.
Apesar dos desafios, especialistas avaliam que a NFN pode trazer ganhos no médio e longo prazo. A padronização do sistema fiscal tende a facilitar o controle, reduzir inconsistências e ampliar a rastreabilidade das informações financeiras. Para isso, porém, será necessário investimento em tecnologia e reorganização dos processos internos.
Cláudio Franco defende a automação como caminho para reduzir erros e garantir conformidade com as novas regras. “Automação de faturamento, conciliação entre atendimentos e cobranças, validação automática de dados antes da emissão da nota e integração direta com sistemas fiscais reduzem drasticamente o erro humano”, destaca.
Enquanto a adaptação não se consolida, o setor da saúde segue lidando com os efeitos práticos da mudança, em um cenário que exige atualização tecnológica para evitar prejuízos e garantir a continuidade dos serviços.