IPCA-15 sobe 0,20% em janeiro e inflação anual chega a 4,50%

Alta mensal desacelera, mas taxa em 12 meses encosta no teto da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,20% em janeiro de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra desaceleração em relação a dezembro, quando o índice havia avançado 0,25%, e ficou levemente abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,21%.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Apesar da desaceleração no mês, a inflação acumulada em 12 meses ganhou força e passou de 4,41% em dezembro para 4,50% em janeiro. Esse patamar está no limite superior da meta contínua de inflação, que é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O resultado foi divulgado às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decide nesta quarta-feira (28) sobre a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa majoritária é de manutenção da taxa em 15% ao ano, mas o mercado acompanha atentamente possíveis sinais sobre quando poderão começar os cortes nos juros. Segundo o Boletim Focus, a projeção é de que o primeiro corte ocorra em março, de 0,50 ponto percentual.

Em janeiro, a alta do IPCA-15 foi influenciada principalmente pelos grupos Saúde e cuidados pessoais e Alimentação e bebidas.

O grupo Saúde e cuidados pessoais teve a maior contribuição para o resultado do mês, ao subir 0,81%, após leve queda em dezembro. O principal fator foi o aumento de 1,38% nos artigos de higiene pessoal.

Já a alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses de queda e subiu 0,21%. Com isso, o grupo Alimentação e bebidas, o de maior peso no índice, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro.
Entre os itens que mais subiram estão tomate (16,28%), batata-inglesa (12,74%), frutas (1,65%) e carnes (1,32%).

Por outro lado, dois grupos importantes ajudaram a conter a inflação no mês: Habitação e Transportes.

O grupo Habitação recuou 0,26%, puxado principalmente pela queda de 2,91% na energia elétrica residencial. Essa redução ocorreu com a entrada em vigor da bandeira tarifária verde, que elimina cobranças extras na conta de luz.

Já os Transportes tiveram queda de 0,13%, influenciados pela forte redução de 8,92% nas passagens aéreas e pelo recuo de 2,79% nas tarifas de ônibus urbano.

A inflação fechou 2025 abaixo do teto da meta, após um período de política monetária bastante restritiva, com juros elevados. Agora, com a taxa anual próxima ao limite de 4,5%, o comportamento dos preços nos próximos meses será decisivo para definir quando o Banco Central poderá iniciar um ciclo de cortes na Selic.

Economistas seguem atentos principalmente à evolução dos preços de alimentos, dos serviços e da energia, que têm peso relevante no bolso das famílias e no rumo da política de juros.

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