O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) para a primeira decisão de juros do ano. Apesar da desaceleração recente da inflação e da queda do dólar, analistas de mercado esperam que a taxa básica de juros, a Selic, seja mantida em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
A Selic está nesse nível desde o segundo semestre de 2025. Antes disso, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas entre setembro de 2024 e junho do ano passado, como resposta às pressões inflacionárias. Nas quatro últimas reuniões, porém, o Copom optou por manter os juros inalterados.
A decisão será anunciada no início da noite. O encontro ocorre com dois cargos vagos na diretoria do Banco Central, após o fim do mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica. As indicações dos substitutos devem ser enviadas pelo governo ao Congresso apenas em fevereiro.
Na ata da última reunião, realizada em dezembro, o Copom afirmou que pretende manter a Selic em 15% por um período prolongado, como forma de garantir que a inflação convirja para a meta. O comitê destacou que o cenário econômico ainda é marcado por incertezas, o que exige cautela na condução da política monetária.
Pressões e expectativas
Embora a economia apresente sinais de desaceleração, alguns preços continuam pressionando a inflação, especialmente os serviços. De acordo com o boletim Focus, que reúne projeções do mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic permaneça em 15% ao ano pelo menos até março.
Nos últimos dias, cresceu a especulação sobre uma possível redução já nesta reunião, impulsionada pela queda do dólar, que voltou a girar em torno de R$ 5,20. Ainda assim, a avaliação predominante é de que o Banco Central deve aguardar sinais mais consistentes antes de iniciar um ciclo de cortes.
Inflação no radar
O comportamento da inflação segue sendo acompanhado de perto. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,2% em outubro e acumula 4,5% em 12 meses, exatamente no teto da meta. O resultado cheio do IPCA de novembro será divulgado nesta quarta-feira.
Segundo o boletim Focus, a projeção de inflação para 2025 caiu para 4,4%, levemente abaixo do limite máximo da meta contínua, que é de 4,5%. A meta central definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Como funciona a Selic
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Ela serve de referência para os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o consumo tende a cair e a inflação é contida. Por outro lado, juros elevados também podem frear o crescimento econômico.
Já a redução da Selic costuma baratear o crédito, estimular o consumo e a produção, mas pode aumentar a pressão sobre os preços. Por isso, o Copom avalia uma série de indicadores antes de tomar suas decisões.
Nova regra da meta
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, a inflação é avaliada mês a mês, considerando o acumulado dos últimos 12 meses, e não mais apenas o índice fechado de dezembro. Isso permite um acompanhamento mais constante do cumprimento da meta ao longo do tempo.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central manteve a previsão de que a inflação termine 2026 em 3,5%. A próxima atualização do documento está prevista para o fim de março.