Afastamentos por transtornos mentais crescem 79% em dois anos

Licenças por ansiedade, depressão e burnout disparam no Brasil, afetando produtividade e saúde

O número de trabalhadores afastados do emprego por transtornos mentais no Brasil sofreu forte aumento nos últimos dois anos, de acordo com levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) feito pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Entre 2023 e 2025, os casos de licenças médicas concedidas por distúrbios psicológicos, como depressão, ansiedade e síndrome de burnout, cresceram 79%, passando de cerca de 219,8 mil para 393,6 mil até novembro de 2025. 

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Dos transtornos que motivaram afastamentos, os ansiosos e depressivos respondem por 86% dos pedidos de benefício. A ansiedade sozinha passou de 81,8 mil afastamentos em 2023 para 157,2 mil em 2025, enquanto episódios depressivos e transtorno depressivo recorrente somaram 182,9 mil casos no ano passado. Já os afastamentos por burnout, síndrome relacionada ao esgotamento físico e emocional no trabalho, tiveram crescimento ainda mais expressivo, mais que triplicando no período analisado.

Especialistas apontam que o aumento dos afastamentos é reflexo não apenas da maior conscientização sobre saúde mental, mas também das pressões e exigências do ambiente de trabalho contemporâneo. Segundo Francisco Cortes Fernandes, presidente da Anamt, os números relativos aos casos mais graves representam apenas “o estágio mais avançado do adoecimento”, uma vez que muitos trabalhadores convivem com sofrimento psíquico prolongado sem sequer chegar ao ponto de se afastar formalmente. 

O crescimento dos casos também evidencia desigualdades de gênero e idade, com maior incidência de afastamentos entre mulheres e profissionais na faixa dos 40 aos 49 anos. Especialistas destacam que, além das jornadas intensas e das responsabilidades acumuladas, muitas pessoas enfrentam condições de trabalho que agravam o estado emocional, o que torna essencial o fortalecimento de políticas de prevenção, apoio psicológico e adaptação do ambiente laboral para mitigar impactos a longo prazo. 

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