Nos últimos três anos, o governo do presidente Lula autorizou empréstimos com aval da União que somam R$ 206,6 bilhões. Entre os estados que mais recorreram a essa modalidade de crédito, o Piauí ocupa o segundo lugar, ficando atrás apenas de São Paulo. Segundo a edição deste domingo da Folha de S.Paulo, o estado contratou R$ 16,1 bilhões em financiamentos, valor que representa 20% do Produto Interno Bruto (PIB) piauiense, estimado em R$ 80,9 bilhões em 2023.
Enquanto São Paulo contratou R$ 22,7 bilhões em empréstimos, o Piauí utilizou quase todo o valor contratado, destacando-se por sua alta proporção em relação à economia local. A disparidade levanta preocupações sobre o impacto desses financiamentos no equilíbrio fiscal do estado, especialmente considerando os juros elevados que podem comprometer o orçamento futuro. Os empréstimos foram realizados principalmente por instituições públicas como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES.
O governador Rafael Fonteles (PT), apontado como uma figura em ascensão dentro do partido, justificou os empréstimos como parte do "maior ciclo de investimentos da história do Piauí". No entanto, especialistas questionam os custos a longo prazo dessas operações. Apesar das declarações anteriores do governador, o governo estadual não se manifestou sobre o assunto quando procurado, segundo o jornal.
Os financiamentos concedidos pelo governo federal a estados e municípios têm levantado críticas por riscos ao equilíbrio fiscal do país, já que o volume total de crédito autorizado nos últimos três anos atingiu níveis recordes. Com o Piauí entre os maiores tomadores, o debate sobre a sustentabilidade dessas operações ganha ainda mais relevância, especialmente em estados com economias menores e mais frágeis em comparação a grandes centros como São Paulo.