Startup portuguesa quer criar "Waze" dos oceanos com satélites

LucoSpace aposta em constelação espacial para melhorar comunicação marítima

Uma startup portuguesa do setor aeroespacial quer usar satélites para criar uma rede global de comunicação marítima comparada a um “Waze dos oceanos”. A proposta é permitir que embarcações compartilhem alertas e informações em tempo real, aumentando a segurança no mar.

Foto: Pexels

Fundada em 2002, a LusoSpace atua na área de comunicações marítimas e é considerada a primeira empresa aeroespacial de Portugal. A companhia está desenvolvendo uma constelação de 12 satélites chamada Lusíada. Quatro deles — batizados com nomes de escritores portugueses como Camões, Pessoa, Saramago e Agustina — já foram enviados aos Estados Unidos para lançamento, que será feito por meio de um foguete da SpaceX.

Segundo o CEO da empresa, Ivo Vieira, a rede permitirá que navios troquem dados sobre riscos como icebergs, contêineres perdidos ou movimentações suspeitas, além de facilitar o aviso imediato às autoridades. A proposta é criar uma comunidade global de compartilhamento de informações marítimas acessível a embarcações de diferentes portes.

A tecnologia utilizada busca garantir estabilidade de sinal mesmo em condições climáticas adversas. De acordo com a empresa, os satélites operam com ondas eletromagnéticas semelhantes às de rádio e utilizam protocolos de comunicação com criptografia, o que aumenta a segurança das transmissões.

O desenvolvimento dos equipamentos envolve parcerias com instituições portuguesas de pesquisa e engenharia. A antena dos satélites foi criada em cooperação com centros tecnológicos e industriais, que também participam de testes e validações. Todas as entidades integram o consórcio New Space Portugal, voltado ao fortalecimento do setor espacial no país.

O processo de lançamento inclui etapas técnicas e autorizações regulatórias. Após o desenvolvimento, os satélites passam por certificações em Portugal e são transportados para os Estados Unidos, onde ocorre o envio ao espaço por empresas especializadas.

Outro ponto destacado pela LusoSpace é a sustentabilidade. Os satélites possuem sistema de propulsão que permite alterar a órbita ao final da vida útil — estimada entre cinco e sete anos — para que retornem à Terra e se desintegrem, reduzindo a geração de lixo espacial.

O primeiro satélite do projeto, o PoSat-2, foi lançado no início de 2025. Outros lançamentos estão previstos ao longo do ano. A expectativa da empresa é que o sistema completo de comunicação marítima esteja operacional até 2027.

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