O projeto de hidrogênio verde da empresa Solatio no Piauí segue ativo e em processo de reformulação, mesmo após a desistência da companhia da ação judicial que discutia as licenças ambientais do empreendimento. A informação foi confirmada pela Investe Piauí, em nota divulgada nesta quinta-feira (5).
De acordo com a agência estadual, a decisão da Solatio de recuar do processo judicial não representa o encerramento do projeto. A empresa mantém sua base operacional na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Parnaíba e conta com equipe técnica dedicada à revisão do empreendimento.
A atualização ocorre após a paralisação das obras, determinada pela Justiça Federal em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). À época, o MPF apontou supostas irregularidades no licenciamento ambiental concedido pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).
Segundo a Investe Piauí, o projeto aguarda a liberação da conexão elétrica total solicitada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), etapa considerada essencial diante da elevada demanda energética exigida por plantas industriais de hidrogênio verde.
Enquanto o pedido permanece em análise pelo ONS, a empresa decidiu redirecionar, no curto prazo, parte de seus esforços para a implantação de um data center verde, empreendimento com menor consumo de energia. A nova iniciativa deverá passar por licenciamento ambiental próprio, conforme a legislação vigente.
O cenário atual contrasta com o de janeiro deste ano, quando a Justiça Federal determinou a suspensão das obras da usina de hidrogênio verde, projeto estimado em R$ 27 bilhões e iniciado em 2025. A decisão judicial atendeu a questionamentos do MPF, que apontou a ausência de outorga para uso das águas do rio Parnaíba, necessárias para a captação diária de mais de 91 milhões de litros.
Na ocasião, a Justiça proibiu a continuidade das obras e fixou multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento. Após ser intimada, a Solatio informou ter interrompido as atividades e cancelado administrativamente as licenças ambientais, argumentando que, sem licenças válidas, a ação judicial perdeu seu objeto.
O pedido de extinção do processo sem julgamento de mérito foi encaminhado à Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Parnaíba no início deste mês. Até o momento, não houve decisão judicial sobre a solicitação.