Mercosul e União Europeia iniciam nova fase comercial a partir de maio

Exportações brasileiras ganham espaço com redução de tarifas

Entra em vigor nesta sexta-feira (1º) o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, medida que deve impactar diretamente as exportações brasileiras. De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria, mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil ao bloco europeu passam a contar, já nesta fase inicial, com tarifa de importação zerada.

Foto: União Europeia/Mercosul

Na prática, empresas brasileiras poderão comercializar grande parte de seus produtos no mercado europeu sem custos adicionais de entrada, o que tende a melhorar a competitividade em relação a concorrentes internacionais. O acordo estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando um mercado superior a 700 milhões de consumidores.

Segundo a CNI, mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero de forma imediata, incluindo itens industriais e agrícolas. Entre os 2.932 produtos com redução já no início da vigência, cerca de 93% são bens industriais, enquanto o restante envolve alimentos e matérias-primas.

A eliminação dessas tarifas altera um cenário em que muitos produtos brasileiros enfrentavam custos adicionais ao entrar na Europa, o que impactava o preço final e limitava a competitividade. Com as novas regras, a indústria nacional deve ganhar espaço em um dos mercados mais relevantes do comércio global.

Entre os setores mais beneficiados estão máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos. No segmento de máquinas, por exemplo, quase a totalidade das exportações brasileiras para a Europa passa a entrar sem cobrança de tarifa, incluindo itens como compressores e peças industriais.

Especialistas apontam que o acordo também amplia o alcance comercial do Brasil. Atualmente, países com os quais o país mantém acordos representam cerca de 9% das importações globais. Com a inclusão da União Europeia, esse percentual pode superar 37%, ampliando o acesso a mercados internacionais.

Apesar do impacto inicial, a implementação será gradual para alguns produtos considerados sensíveis. Nesses casos, a redução de tarifas ocorrerá ao longo de prazos que podem variar entre 10 e 15 anos, podendo chegar a até 30 anos em situações específicas.

A entrada em vigor marca o início de uma nova etapa nas relações comerciais entre os blocos. O governo brasileiro ainda deverá regulamentar pontos operacionais, como a distribuição de cotas de exportação. Entidades empresariais também devem acompanhar a aplicação do acordo para orientar empresas e facilitar o aproveitamento das oportunidades criadas.

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