Petróleo dispara após ameaça de Trump ao Irã

Mercado reage à tensão no Oriente Médio e teme crise no abastecimento

O preço do petróleo registrou forte alta nesta segunda-feira (18) em meio ao agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. O mercado reagiu às declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o impasse nas negociações para encerrar a guerra envolvendo Teerã.

Foto: Alexandre Brum/Petrobras

O petróleo Brent, referência internacional da commodity, avançou 1,9% e chegou a US$ 111,31 por barril. Já o WTI, utilizado como referência no mercado americano, subiu 2,3%, alcançando US$ 107,83 por barril.

Os contratos futuros continuaram em alta durante a manhã. Por volta das 7h17, o Brent era negociado a US$ 110,25, enquanto o WTI atingia US$ 102,29 por barril.

A valorização foi impulsionada pela preocupação dos investidores após Trump afirmar, em uma rede social, que “o tempo está correndo” para o Irã. A declaração ocorreu após conversa com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O cenário internacional também segue pressionado pelas restrições no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Além disso, os Estados Unidos mantêm um bloqueio marítimo aos portos iranianos desde o mês passado.

A tensão aumentou ainda mais após um ataque de drone atingir uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos durante o fim de semana. O episódio ampliou os receios sobre possíveis impactos no fornecimento global de energia.

Analistas do banco ING afirmaram que os riscos de agravamento da crise continuam crescendo, principalmente diante da ausência de avanços diplomáticos após a reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.

Mesmo com declarações da Casa Branca indicando apoio à reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado ainda demonstra cautela quanto à capacidade da China de influenciar o governo iraniano.

A alta do petróleo também afetou os mercados financeiros internacionais. Bolsas asiáticas registraram quedas nesta segunda-feira. O índice Nikkei, do Japão, recuou 0,9%, enquanto Hong Kong caiu 1,6%. Na Austrália, a bolsa perdeu 1,4%.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas também operaram em baixa após perdas registradas pelos principais índices na última sessão.

O movimento elevou ainda as preocupações com a inflação global. Os rendimentos dos títulos públicos americanos subiram para cerca de 4,63%, nível acima do registrado antes do início do conflito.

No mercado cambial, o dólar ganhou força frente ao iene japonês, enquanto o euro apresentou leve valorização diante da moeda norte-americana.

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