Depois de começar 2026 entre os mercados emergentes mais atrativos do mundo, o Brasil passou a perder espaço para países ligados à indústria da inteligência artificial. A nova corrida global por empresas de tecnologia mudou o destino dos investimentos internacionais e diminuiu o interesse pela bolsa brasileira nos últimos meses.
O forte avanço das empresas de tecnologia voltou a movimentar os mercados globais e alterou o cenário para países emergentes como o Brasil. O resultado financeiro acima das expectativas divulgado pela NVIDIA reforçou a confiança dos investidores no crescimento da inteligência artificial e acelerou a migração de recursos para empresas ligadas ao setor.
A mudança acontece porque o mercado global passou a apostar, novamente, em companhias responsáveis pela infraestrutura da inteligência artificial — como fabricantes de chips, data centers, redes de dados e empresas de software. Essas companhias têm liderado os ganhos nas bolsas internacionais desde abril.
No início do ano, o Brasil aparecia entre os destinos preferidos dos investidores estrangeiros. A B3 acumulou forte valorização até fevereiro, impulsionada por ações consideradas baratas, entrada de capital internacional e expectativa de melhora na economia brasileira.
Mesmo durante momentos de tensão internacional, o mercado brasileiro demonstrou resistência. Em março, por exemplo, a bolsa caiu menos que outros mercados emergentes após o aumento das incertezas geopolíticas.
O cenário, porém, mudou rapidamente com a retomada da euforia em torno da inteligência artificial.
Países mais ligados à cadeia global de tecnologia passaram a receber grande parte dos investimentos. As bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan registraram fortes altas por concentrarem empresas que produzem semicondutores, componentes eletrônicos e equipamentos usados na expansão da inteligência artificial.
O Brasil acabou ficando para trás porque sua bolsa é formada principalmente por bancos, empresas de commodities, energia e consumo interno. Embora esses setores sejam relevantes, eles não participam diretamente do principal movimento que hoje atrai dinheiro no mercado internacional.
Segundo análise da WHG, empresas ligadas à infraestrutura da inteligência artificial acumularam valorização próxima de 90% em 2026. Enquanto isso, a bolsa brasileira passou a ter desempenho mais fraco e registrou saída de investidores estrangeiros em maio.
Analistas avaliam que o país continua atrativo por oferecer juros altos e ações negociadas a preços considerados baixos. Ainda assim, esses fatores perderam força diante do entusiasmo global com o setor de tecnologia.
Na prática, o mercado internacional voltou a priorizar empresas capazes de lucrar diretamente com a expansão da inteligência artificial. E, sem participação relevante nesse setor, o Brasil enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo da recuperação das principais bolsas do mundo.