China volta a autorizar frigoríficos brasileiros para exportação de carne

Decisão beneficia unidades da JBS, Frisa e Bon-Marte suspensas desde 2025

A China voltou a autorizar a importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025. A decisão foi anunciada após reuniões entre autoridades dos dois países durante missão oficial do ministro André de Paula em Pequim.

Foto: Beatriz Batalha/MAPA
China retoma compra de carne de três frigoríficos brasileiros suspensos desde 2025.

A retomada das habilitações foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, que classificou a medida como um avanço importante para o agronegócio nacional e para as exportações brasileiras de carne bovina.

Entre as unidades liberadas estão a planta da JBS em Mozarlândia, Goiás; uma unidade da Frisa em Nanuque, Minas Gerais; e uma planta da Bon-Marte em Presidente Prudente, São Paulo.

As três haviam sido suspensas pela Administração-Geral de Aduanas da China em março do ano passado sob alegação de “não conformidade” com exigências sanitárias do país asiático. Na época, as autoridades chinesas não detalharam quais critérios motivaram os bloqueios.

Em nota, a Abiec afirmou que a decisão reforça a confiança da China no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne produzida no país.

A China segue como principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil e responde por quase metade de todo o volume embarcado pelo setor. Apenas em 2025, o país asiático importou 1,7 milhão de toneladas do produto brasileiro.

Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil já exportou mais de 612 mil toneladas para o mercado chinês, equivalente a mais da metade da cota anual atualmente permitida.

A missão do ministro André de Paula na China também incluiu negociações para ampliar a presença brasileira no mercado asiático. O governo solicitou a habilitação de outras 33 plantas frigoríficas nacionais para exportação ao país.

Apesar da reabertura parcial, o setor ainda enfrenta restrições impostas por Pequim neste ano. Desde janeiro, as exportações brasileiras de carne bovina passaram a obedecer uma cota de 1,1 milhão de toneladas. O excedente exportado acima desse limite passou a ser taxado em 55%, medida que elevou os custos das operações.

Com o ritmo acelerado das vendas, frigoríficos brasileiros começaram a reduzir abates destinados à China para evitar o pagamento da tarifa adicional. As medidas de salvaguarda chinesas devem permanecer em vigor até 2028 e podem provocar queda de até 10% nas exportações brasileiras de carne bovina neste ano, segundo estimativas do mercado.

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