O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) vem ampliando sua participação no mercado imobiliário brasileiro e já responde por mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no país. Em São Paulo, a presença do programa é ainda maior e chega a representar dois terços dos negócios. O avanço ocorre após mudanças promovidas pelo governo federal, que ampliou o teto dos imóveis e as faixas de renda, reduziu juros e criou a chamada faixa 4, voltada a famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil.
O crescimento também é impulsionado por subsídios adicionais oferecidos por estados e municípios, que ajudam a reduzir o valor necessário para a entrada. Em São Paulo, por exemplo, os benefícios variam entre R$ 10 mil e R$ 16 mil. Outro fator apontado é a expansão de empreendimentos populares em áreas próximas a corredores de transporte, após mudanças na legislação de zoneamento da capital paulista. Para especialistas, o programa consegue atender uma parcela significativa da população que enfrenta dificuldades para adquirir a primeira moradia.
Ao mesmo tempo em que o MCMV ganha espaço, os segmentos de médio e alto padrão enfrentam dificuldades provocadas principalmente pelos juros elevados. Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a classe média está sendo particularmente afetada pela combinação entre preços elevados dos imóveis e custo maior do financiamento. No MCMV, as taxas de crédito variam entre 4,5% e 8,16% ao ano, enquanto no restante do mercado chegam a aproximadamente 12% a 14%. Diante desse cenário, incorporadoras têm direcionado novos projetos para o programa habitacional como forma de manter vendas e diversificar negócios.
A tendência é que a participação do MCMV continue crescendo caso as taxas de juros permaneçam elevadas. O economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci, estima que o programa possa representar entre 60% e 65% das unidades comercializadas no mercado nacional. Apesar do aumento dos lançamentos, o estoque ainda é considerado relativamente baixo: são 137,1 mil unidades do MCMV no Brasil, equivalentes a cerca de 7,6 meses de vendas. Em São Paulo, o estoque chega a 52,8 mil unidades, suficiente para aproximadamente oito meses de comercialização, indicando que o avanço do segmento ocorre em meio à retração de outras faixas do mercado.