Os preços dos alimentos recuaram em agosto, mas a queda foi desigual entre os produtos. A alimentação no domicílio caiu 0,61% no mês, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (11), com forte redução nos valores de batata, cebola, cenoura e tomate. Em sentido oposto, carnes e derivados do leite continuaram pressionando o orçamento das famílias.
O grupo de tubérculos, raízes e legumes teve a maior queda, de 12,37%. A batata-inglesa ficou 19,89% mais barata, enquanto os preços da cebola recuaram 11,07%, da cenoura, 11,22%, e do tomate, 10,94%.
O recuo, porém, ainda não foi suficiente para eliminar as altas acumuladas desde o início do ano. A cenoura registra avanço de 54,36% em 2026, seguida pela cebola, com 46,93%, pelo tomate, com 15,20%, e pela batata-inglesa, com 17,31%.
As oscilações refletem, em parte, a sensibilidade desses produtos às condições de oferta. A entrada de novas safras e a melhora nas condições de produção podem ampliar a disponibilidade e provocar quedas mais acentuadas no varejo.
Entre as frutas, o comportamento também foi diverso. O morango teve redução de 9,94% em agosto, enquanto a maçã caiu 0,29%. O limão seguiu na direção contrária: subiu 53,40% no mês e acumula alta de 53,62% em 2026.
Quedas mensais ainda não revertem altas
A diferença entre a variação de agosto e o acumulado do ano aparece também em outros alimentos. O feijão-carioca, por exemplo, ficou 4,82% mais barato no mês, mas ainda registra alta de 42,30% no ano. O feijão-preto caiu 0,63% em agosto e acumula avanço de 25,85%.
O morango apresenta situação semelhante. Apesar do recuo registrado no mês, o produto está 55,31% mais caro do que no início de 2026.
Carnes e leite mantêm pressão
As proteínas animais seguiram na direção oposta à dos hortaliças e legumes. O grupo de carnes subiu 0,61% em agosto e acumula alta de 6,22% no ano.
Entre os cortes pesquisados pelo IBGE, o peito de frango subiu 2%, a alcatra aumentou 1,55%, o filé-mignon avançou 1,59% e o contrafilé ficou 1,42% mais caro.
Houve, porém, produtos em queda. A carne suína recuou 1,30% em agosto e acumula baixa de 7,31% no ano. O grupo de aves e ovos caiu 1,55%, influenciado pela redução de 4,15% no preço dos ovos.
Nos lácteos, a pressão foi maior. Leites e derivados subiram 1,06% em agosto, enquanto o leite longa vida avançou 1,78%. No acumulado de 2026, o produto já registra alta de 27,33%.
Café e açúcar ajudam a aliviar cesta
O café moído também apresentou queda em agosto, de 1,86%, e acumula redução de 15,26% no ano. O resultado representa uma mudança em relação ao período anterior de forte pressão sobre os preços do produto.
O açúcar cristal caiu 1,35% no mês e acumula baixa de 10,14% em 2026. O óleo de soja teve alta de 0,48% em agosto, mas permanece 10,23% abaixo do preço registrado no início do ano.