Atraso na certificação do Enem ameaça matrícula de aprovados em universidades

Falta de definição do Inep sobre emissão do documento gera incerteza entre aprovados

A retomada do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de certificação do ensino médio, após quase uma década, tem provocado insegurança entre estudantes aprovados em universidades, diante da demora do Inep em operacionalizar a emissão do documento exigido para matrícula.

Foto: Angelo Miguel/MEC
Atraso na certificação do Enem ameaça matrícula de aprovados em universidades

A decisão do Ministério da Educação (MEC), anunciada em maio do ano passado, devolveu ao Enem a função de certificar a conclusão da educação básica para candidatos maiores de 18 anos que atinjam a pontuação mínima exigida. Na prática, porém, a falta de um sistema funcional para emissão do certificado tem impedido estudantes de concluir a matrícula no ensino superior.

Relatos colhidos pela reportagem indicam dificuldades generalizadas para obter informações junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo os estudantes, o órgão não esclarece quais instituições estão autorizadas a emitir o certificado nem responde às solicitações feitas por canais oficiais.

Sem o documento, aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e em vestibulares tradicionais correm o risco de perder a vaga, já que as matrículas estão previstas para fevereiro. A ansiedade cresce especialmente entre jovens que apostaram no Enem como alternativa para concluir o ensino médio e ingressar imediatamente na universidade.

Em resposta, o Inep informou que lançará um aplicativo digital até o fim de fevereiro, permitindo que os pedidos de certificação sejam feitos on-line a partir de 2 de março. Segundo o presidente do instituto, Manuel Palacios, as universidades serão oficialmente comunicadas de que a entrega do certificado ocorrerá de forma posterior, sem prejuízo aos estudantes.

Ainda assim, até o momento, não houve ampla divulgação do novo sistema. Publicações no Diário Oficial da União mencionam que a lista de instituições certificadoras será divulgada em portaria específica, mas, no site do Inep, apenas dois institutos federais aparecem como referência, com links inoperantes e canais de atendimento sem resposta.

Palacios afirma que o modelo digital busca evitar os entraves observados em experiências anteriores e que a meta é ampliar parcerias com ao menos uma instituição certificadora em cada região do país. A promessa é que todo o processo ocorra sem a necessidade de comparecimento presencial.

Enquanto isso, estudantes seguem em compasso de espera, temendo que a solução anunciada não chegue a tempo de garantir o acesso às vagas conquistadas.

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