Tifanny reage a veto de atletas trans no vôlei: “É um retrocesso”

Jogadora afirma que medida da CBV ameaça sua carreira e promete buscar seus direitos

Por Dominic Ferreira,

A jogadora Tifanny, do Osasco São Cristóvão Saúde, se pronunciou pela primeira vez sobre a nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que restringe a participação em competições femininas a atletas designadas do sexo feminino ao nascer. Aos 41 anos, a oposta, primeira mulher trans a atuar na Superliga Feminina, classificou a mudança como um “enorme retrocesso” e afirmou que pretende adotar medidas para continuar exercendo a profissão. 

Foto: Divulgação/Osasco - @carol__fotografiaOk

Em declaração divulgada pela assessoria do Osasco, Tifanny afirmou que a decisão não afeta apenas sua trajetória esportiva, mas também o clube, torcedores, patrocinadores e outras pessoas trans que encontram no esporte uma possibilidade de visibilidade e inclusão. A atleta também criticou a exigência de critérios genéticos e comparou a medida às formas de verificação utilizadas no esporte décadas atrás. Segundo ela, não pretende permanecer em silêncio e buscará alternativas para defender sua permanência nas quadras. 

O pronunciamento ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, no sábado (15), contra o Pinheiros, no Ginásio José Liberatti. Tifanny marcou 19 pontos e foi bastante celebrada pela torcida, mas o time paulista acabou derrotado por 3 sets a 2. A participação da jogadora foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball informou que o Estadual continuaria seguindo o regulamento adotado desde o início da competição, enquanto eventuais mudanças para os próximos torneios seriam avaliadas pelas áreas jurídica e de saúde. 

A nova política da CBV foi anunciada na sexta-feira (14) e, segundo a entidade, busca adequação às regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Entre os novos critérios está a apresentação de resultado negativo para o gene SRY. A regra substitui o modelo anterior, no qual mulheres trans podiam competir mediante o cumprimento de determinado limite de testosterona sérica. A medida já vale para as edições de 2026 da Superliga, incluindo as duas principais divisões, e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027. 

Fonte: Agência Brasil

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