Mães e professores denunciam falhas na inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em escolas do Piauí, citando falta de estrutura, escassez de profissionais de apoio e ausência de capacitação adequada.
As denúncias vêm sendo reunidas pelo deputado estadual Franzé Silva, após manifestações públicas sobre o tema. Segundo o parlamentar, dezenas de relatos foram enviados por redes sociais, expondo dificuldades tanto na capital quanto no interior.
Entre os principais problemas apontados estão salas superlotadas, com até 30 alunos, e número insuficiente de profissionais de apoio para atender estudantes com necessidades específicas. Em alguns casos, familiares afirmam que sequer há acompanhamento especializado em sala.
Relatos também indicam improviso no atendimento. Professores e responsáveis mencionam situações em que funcionários sem formação adequada assumem funções de cuidado, o que comprometeria o desenvolvimento dos alunos e sobrecarregaria as equipes escolares.
Parte das críticas recai ainda sobre o modelo de ensino em tempo integral, considerado por alguns pais e educadores incompatível com a atual estrutura disponível para atender estudantes com deficiência ou neurodivergência.
Outro ponto recorrente é a falta de aplicação do método ABA (Análise do Comportamento Aplicada), previsto na Lei nº 8.133/2023 do Piauí. A norma determina a adoção da abordagem para alunos com autismo e outras neurodivergências, mas, segundo os relatos, sua implementação ainda é limitada.
Além disso, professores e profissionais de apoio denunciam sobrecarga de trabalho e baixa remuneração. Há casos de jornadas de 40 horas semanais com salários próximos ao mínimo, mesmo entre profissionais com formação em pedagogia.
Diante do volume de queixas, Franzé Silva defende ampliar o debate para o âmbito nacional. Segundo ele, os relatos não se restringem ao Piauí e apontam para fragilidades na política de inclusão educacional em diferentes estados.