Em tempos de redes sociais, onde o número de “amigos” virou sinônimo de status, reconhecer uma amizade genuína pode ser um verdadeiro desafio. Segundo a psicóloga Karina Siqueira, da Hapvida, é essencial refletir sobre o impacto emocional que cada relação causa. "Se você sai de um encontro mais cansado do que entrou ou evita estar com a pessoa, há algo errado", explica. Esses sinais sutis indicam que o vínculo pode estar se tornando tóxico e prejudicial à saúde mental.
A especialista reforça que, assim como em relacionamentos amorosos, amizades verdadeiras exigem limites claros, respeito mútuo e uma comunicação honesta. "Mentiras, traições e críticas humilhantes não são erros, são escolhas. Se alguém ultrapassa seus limites de forma consciente, essa relação perde seu valor", destaca. A tentativa de esperar tudo de uma única pessoa — apoio emocional, conselhos, companheirismo — também é um erro comum, que gera frustrações e desgastes desnecessários.
Karina também ressalta que cada amizade cumpre um papel diferente e isso é saudável. “Alguns amigos são ótimos para diversão, outros para desabafos, e está tudo bem. Não devemos exigir de alguém mais do que ele pode oferecer”, pontua. O equilíbrio está em reconhecer as funções específicas de cada vínculo e saber distribuir o afeto de forma coerente. Assim, criam-se relações mais leves, duradouras e honestas.
Para quem suspeita estar em uma amizade prejudicial, a psicóloga propõe um exercício simples: listar os pontos positivos e negativos da relação e atribuir notas a cada um. Se os aspectos negativos forem mais intensos, talvez seja o momento de se afastar. “A vida adulta já é difícil por si só. Não precisamos de laços que nos enfraquecem. Amizades verdadeiras somam, não drenam”, finaliza Karina.