O ano era 1986. A cultura de Teresina ganhava um espaço inédito de registro e valorização: os Cadernos de Teresina. A cada quatro meses, a revista reunia ensaios, reportagens, contos, fotografias e depoimentos de artistas, escritores e pesquisadores que ajudaram a construir a identidade cultural da capital. Entre idas e vindas, foram 42 edições publicadas ao longo de 31 anos, até a última em 2017.
Agora, a história ganha novo fôlego. A Fundação Monsenhor Chaves anunciou a digitalização de todo o acervo, que ficará disponível online ainda este ano. O objetivo é preservar e democratizar o acesso ao material, considerado um marco para a memória cultural do município.
Para Jairo Cezar Sherlock, servidor da Fundação desde a sua criação e um dos que acompanharam de perto o surgimento da revista, a retomada tem um peso simbólico. “Tive o prazer de participar do projeto. Nos anos 90, os meios de divulgação cultural eram poucos, quase restritos aos jornais. A revista foi aceita por muita gente, circulou em bibliotecas e pesquisas acadêmicas. Hoje é emocionante reencontrar essas edições espalhadas por acervos e memórias”, destacou.
Mais do que uma publicação, os Cadernos de Teresina funcionaram como um espaço de encontro para diferentes vozes. Suas páginas registraram reflexões de acadêmicos, criações literárias, relatos de personalidades já falecidas e imagens que contam a história da cidade.