PF investiga vídeos do TikTok que incentivam violência contra mulheres

Conteúdos simulavam agressões após rejeição amorosa e foram removidos da rede

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar uma série de vídeos publicados no TikTok que fazem apologia à violência contra mulheres. A investigação foi iniciada após denúncias sobre uma “trend” que mostrava homens simulando agressões físicas, como socos, chutes e facadas, contra mulheres em situações de rejeição amorosa. Além da abertura do inquérito, a corporação solicitou à plataforma a preservação dos dados e a retirada imediata do conteúdo considerado violento.

Foto: Tomaz Silva | Agência Brasil

A ação ocorreu após solicitação da Advocacia-Geral da União, que identificou que os vídeos teriam sido publicados inicialmente por quatro perfis da rede social. Segundo o órgão, os responsáveis pelas publicações podem responder por crimes como incitação ao feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher. Durante as investigações, outros conteúdos semelhantes foram encontrados e também removidos da plataforma.

Em nota oficial, o TikTok informou que os vídeos violavam as Diretrizes da Comunidade e, por isso, foram retirados do ar. A empresa afirmou ainda que sua equipe de moderação continua monitorando conteúdos relacionados ao tema para identificar possíveis novas publicações que descumpram as regras da rede social. Especialistas apontam que esse tipo de discurso misógino tem ganhado espaço em grupos virtuais associados à chamada “machosfera”, como comunidades de “redpills” e “incels”.

Para a professora Eunice Guedes, que também atua na Universidade Federal do Pará, o crescimento desse tipo de discurso nos últimos anos exige uma resposta mais ampla da sociedade. Ela defende que o país avance na criminalização da misoginia e na adoção de políticas de prevenção. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Brasil registra, atualmente, cerca de quatro feminicídios por dia, reforçando a necessidade de combater discursos que incentivem a violência de gênero.

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas por telefone, WhatsApp e e-mail. Também é possível procurar delegacias especializadas, as Casas da Mulher Brasileira ou acionar os números 100 (direitos humanos) e 190 para emergências policiais.

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