Correios suspendem fechamento de agências e mantêm diálogo com servidores ativos

Estatal adia parte da reestruturação após pressão sindical e mantém negociações abertas

Os Correios suspenderam temporariamente parte do plano de reestruturação da empresa e adiaram o fechamento de agências em todo o país. A decisão foi tomada após a pressão de sindicatos, que haviam sinalizado a possibilidade de uma greve contra as mudanças previstas. Segundo a estatal, a medida busca ampliar o diálogo com os representantes dos trabalhadores, sem interromper completamente o processo de recuperação financeira da empresa. 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os Correios também suspenderam, até o fim de julho, a retirada da gratificação paga a funcionários que atuam no atendimento ao público e interromperam temporariamente a implantação de um sistema destinado ao dimensionamento das operações de entrega. A empresa informou que o período será utilizado para reavaliar os impactos das medidas e analisar sugestões apresentadas pelas entidades sindicais, enquanto outras ações do plano de reestruturação, como a venda de imóveis e iniciativas de redução de despesas, permanecem em andamento. 

A suspensão ocorre em um momento delicado para a estatal, que enfrenta dificuldades financeiras. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e registraram déficit de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. Paralelamente, a empresa busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para fortalecer sua situação financeira e dar continuidade ao plano de recuperação.

Entre as medidas previstas originalmente estava o fechamento de cerca de mil unidades, estratégia que poderia gerar economia estimada em R$ 2,1 bilhões. Até o momento, 256 agências já tiveram as atividades encerradas. A empresa também prepara um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), voltado aos empregados das unidades que poderão ser desativadas futuramente. Os Correios afirmam que continuarão negociando com os trabalhadores para buscar soluções que conciliem o equilíbrio financeiro da estatal com a manutenção dos serviços prestados à população. 

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