O fenômeno El Niño pode provocar aumento dos casos de dengue, chikungunya e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no Brasil entre o segundo semestre de 2026 e os primeiros meses de 2027. Diante do risco, o Ministério da Saúde orientou estados e municípios a reforçarem as ações de vigilância, prevenção e controle do mosquito.
A previsão indica que o El Niño poderá ocorrer com intensidade moderada a forte no segundo semestre deste ano. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e altera os regimes de temperatura e chuva em diferentes regiões do país.
Temperaturas mais elevadas e períodos chuvosos favorecem a reprodução do mosquito. Em áreas afetadas pela estiagem, o risco também pode crescer porque a população tende a armazenar água em caixas, tambores, cisternas e outros recipientes que, sem vedação adequada, podem se transformar em criadouros.
Esse cenário exige atenção no Piauí, especialmente nos municípios que enfrentam períodos prolongados de seca e dependem do armazenamento doméstico de água. Embora o estado não esteja entre aqueles apontados com previsão específica de uma temporada mais intensa, o Ministério recomenda que todas as unidades da Federação antecipem medidas de prevenção.
As últimas ocorrências de El Niño de intensidade moderada a forte foram registradas nos períodos de 2015 a 2016 e de 2023 a 2024. Nas duas ocasiões, o Brasil enfrentou grandes epidemias de arboviroses.
Uma projeção elaborada pelo InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz, estima que o país poderá registrar cerca de 1,7 milhão de notificações suspeitas de dengue em 2027. O número pode variar de pouco mais de 1 milhão a 5,6 milhões, de acordo com a intensidade do fenômeno e a evolução das condições epidemiológicas.
Considerando a média de casos posteriormente descartados, a estimativa central representa aproximadamente 1 milhão de casos prováveis. O Ministério da Saúde ressalta que os números são projeções e poderão ser atualizados conforme novas informações climáticas forem incorporadas aos modelos.
Para o Nordeste, o estudo não prevê um agravamento generalizado provocado pelo El Niño em comparação com um cenário climático neutro. Paraíba, Ceará e Bahia, porém, podem registrar uma temporada de dengue mais intensa do que a observada em 2025.
Apesar do alerta, os casos de arboviroses apresentam redução em 2026. Até 20 de junho, o Brasil contabilizou 392.816 casos prováveis de dengue, queda de 73% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram confirmadas 225 mortes, enquanto outras 210 permaneciam em investigação.
No mesmo período, foram registrados 55.966 casos prováveis de chikungunya, redução de 46%. A doença provocou 43 mortes confirmadas, e outros 19 óbitos ainda estavam sendo investigados.
O Ministério recomenda que estados e municípios realizem bloqueios de transmissão logo após a identificação dos primeiros casos suspeitos, reorganizem o trabalho dos agentes de combate às endemias, mantenham estoques de larvicidas e reforcem a eliminação de depósitos que possam acumular água.
A população deve manter caixas-d’água e cisternas fechadas, limpar calhas, ralos e recipientes e procurar atendimento médico ao apresentar febre, dores musculares ou articulares, manchas na pele, dor atrás dos olhos ou outros sintomas compatíveis com dengue e chikungunya.