Parnaíba exporta insumo do jaborandi para 80 países

Pilocarpina é produzida em escala e exportada mundialmente

Em Parnaíba, no Piauí, uma planta nativa da Amazônia tem sido adaptada com sucesso ao semiárido local, tornando-se fundamental para a produção de medicamentos contra o glaucoma. Trata-se do jaborandi, que fornece a pilocarpina, utilizada principalmente na fabricação de colírios.

A substância é processada em uma indústria situada no município e distribuída para cerca de 80 países. Embora o Brasil consuma apenas uma pequena fração — entre seis e sete quilos — a produção anual chega a duas ou três toneladas, sendo a maior parte destinada ao exterior.

A gerente industrial Luciene Vasconcelos explica que, devido à exclusividade da produção brasileira de pilocarpina, o mercado internacional é o principal destino. Países como os Estados Unidos já são consumidores regulares e a China está em fase de registro para começar a importar o insumo.

Processo industrial e sustentabilidade

O processo de extração da pilocarpina começa nas plantações de 33 hectares em Parnaíba. Após a colheita, as folhas são levadas para a unidade industrial onde passam por rigorosos controles de temperatura e pressão para garantir a pureza do produto final. O material vegetal utilizado é reaproveitado como adubo na fazenda.

Além disso, o cultivo do jaborandi em Parnaíba não só abastece a indústria farmacêutica como também contribui para preservar essa espécie ameaçada pela extração ilegal. Giovanni Bressiani Pedroso, coordenador do Instituto Senai de inovação em química verde, destaca que produzir o jaborandi de forma sustentável tem sido crucial para sua preservação.

Outros cultivos e usos

A fazenda também cultiva cordia, planta utilizada na fabricação de pomadas e géis analgésicos. A adaptação bem-sucedida dessas plantas ao clima semiárido piauiense foi possível graças a técnicas avançadas de manejo agrícola.

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