Os preços do petróleo subiram cerca de 3% na manhã desta segunda-feira (28), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta apresentada pelo Irã para tentar encerrar o conflito entre os dois países e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
O petróleo Brent, referência internacional, avançava 2,86%, cotado a US$ 107,30 por barril às 9h06, no horário de Brasília. Durante a sessão, o contrato chegou ao maior nível desde 15 de setembro. Nos Estados Unidos, o petróleo WTI subia 3,04%, para US$ 95,22 por barril.
A valorização ocorre em meio às preocupações do mercado com o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo. O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica para o transporte de energia e qualquer interrupção ou redução dos embarques pode afetar os preços internacionais.
Apesar da alta, parte do fluxo de petróleo pela região começou a se recuperar. Segundo dados da Kpler citados pela Reuters, os embarques pelo Estreito de Ormuz devem chegar a aproximadamente 7,4 milhões de barris por dia neste mês. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também ampliaram as exportações.
Mesmo com a retomada parcial dos embarques, a Capital Economics avalia que o mercado ainda enfrenta um déficit de oferta. O cenário mantém os preços sob pressão e aumenta a atenção dos investidores para os próximos movimentos envolvendo Estados Unidos e Irã.
A proposta iraniana foi apresentada na semana passada durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas e teria sido encaminhada a Washington por meio de mediadores do Catar. O plano prevê medidas para reduzir as hostilidades e criar condições para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump afirmou no sábado que havia rejeitado a proposta. No domingo, porém, declarou à imprensa americana que espera a retomada das negociações e a participação de representantes dos Estados Unidos em novas conversas ao longo desta semana.
A trajetória do petróleo também é acompanhada de perto pelo mercado de combustíveis. Na semana passada, o prêmio do diesel europeu em relação ao petróleo Brent chegou a cerca de US$ 95 por barril, segundo a Reuters, em razão da redução da oferta mundial do combustível.
O mercado também avalia a possibilidade de os Estados Unidos restringirem as exportações de diesel para ampliar a oferta no mercado doméstico e tentar conter os preços. Caso a medida seja adotada, países que dependem das compras externas, como Brasil e México, poderão enfrentar uma oferta internacional menor.