Mulheres pardas enfrentam uma dupla desvantagem na disputa por vagas de deputado federal, estadual e distrital nas eleições de 2026. Embora representem 22,7% da população adulta brasileira, elas somam apenas 12,2% das candidaturas e receberam 10,5% dos recursos públicos destinados às campanhas analisadas pela Transparência Brasil.
Os dados integram a segunda edição do boletim Caixa de Campanha, com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponíveis até 22 de setembro. O levantamento compara a presença dos grupos de gênero e raça nas candidaturas com a parcela do financiamento público recebida por cada um.
Segundo a organização, as mulheres pardas receberam R$ 67 milhões a menos do que teriam obtido se a distribuição acompanhasse sua participação entre os candidatos. Esse valor expressa uma diferença em relação ao critério de proporcionalidade adotado pelo estudo, sem representar, por si só, uma dívida dos partidos com as candidatas.
Entre os homens brancos, a relação se inverte. Eles correspondem a 20,4% da população adulta, ocupam 33,5% das candidaturas e concentram 40,5% dos recursos públicos. Assim, têm presença nas listas de candidatos superior ao seu peso populacional e uma parcela do dinheiro ainda maior.
A desigualdade aparece em diferentes legendas. Dos 26 partidos que haviam declarado distribuição de recursos públicos até a data analisada, 16 destinaram às mulheres pardas uma fatia inferior à participação delas nas candidaturas. Para mulheres pretas, essa situação ocorreu em 19 partidos.
A Transparência Brasil ressalta que o desequilíbrio identificado não comprova automaticamente descumprimento das normas eleitorais. As regras de financiamento têm abrangência diferente do recorte do estudo, restrito às disputas para deputado, e os partidos possuem autonomia para distribuir recursos conforme suas estratégias, dentro dos limites legais.
O levantamento é parcial e retrata os valores declarados até 22 de setembro. Novos repasses e atualizações das prestações de contas podem alterar os percentuais até o encerramento da campanha.
No Piauí, as mulheres são maioria entre as pessoas aptas a votar. Segundo o TRE-PI, elas representam aproximadamente 52% do eleitorado de 2026, com 1,4 milhão de eleitoras.