Furtos fazem pecuarista gaúcho reduzir rebanho de 350 para 100 animais

Sistema com brincos eletrônicos e conexão via satélite passou a acompanhar o gado em tempo real

Uma sequência de furtos de gado levou um pecuarista de Cambará do Sul, na Serra Gaúcha, a reduzir o rebanho da propriedade de 350 para cerca de 100 animais. Além do prejuízo financeiro, o abigeato mudou a rotina da fazenda, que passou a exigir conferências frequentes dos animais e maior atenção à segurança.

Foto: Reprodução

O produtor rural e médico-veterinário Saulo Guanino da Silva conta que o projeto inicial era chegar a 400 vacas de cria. Depois dos furtos, porém, a atividade se tornou mais difícil de administrar.

“Era desesperador o sentimento. Eu virava as costas e já estava pensando em voltar de novo, porque eles [os criminosos] sabiam a hora em que eu chegava, a hora que eu voltava, quando eu ia e quando eu vinha. Houve uma sequência de roubos”, relata.

O Rio Grande do Sul registrou 263 ocorrências de abigeato entre janeiro e agosto de 2026, segundo os indicadores da Secretaria da Segurança Pública do estado. Os dados incluem registros de diferentes regiões e mostram que, apesar da redução observada em alguns períodos, o furto de gado continua entre os crimes que afetam a atividade rural. (estado.rs.gov.br⁠)

Na Fazenda Camarim, Silva passou a utilizar o sistema Instabov AutoTag, desenvolvido pela agtech Instabov com apoio da Belgo Arames. A solução combina brincos eletrônicos, antenas instaladas na propriedade e um aplicativo integrado à inteligência artificial.

A tecnologia automatiza o inventário do rebanho e permite acompanhar a movimentação dos animais sem que o produtor precise estar fisicamente no pasto. Segundo a empresa, a ferramenta também gera informações sobre o comportamento do gado e auxilia no planejamento da operação.

“Com a tecnologia, os animais passaram a ser acompanhados de forma mais automatizada, permitindo ao produtor ter informações sobre o rebanho sem depender da presença física na propriedade”, afirma Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames.

De acordo com o produtor, os furtos foram reduzidos em praticamente 100% depois da instalação do sistema. O resultado, contudo, é um relato do usuário da tecnologia e não foi apresentado como uma medição independente.

A conectividade via satélite é uma das novidades do sistema. Conforme a fabricante, o alcance de cada antena pode chegar a 1.000 hectares, contra cerca de 15 hectares em condições convencionais. A ampliação busca atender propriedades extensas ou localizadas em áreas com dificuldade de acesso à internet. (belgo.com.br⁠)

Para a empresa, o monitoramento pode complementar as medidas tradicionais de segurança e ajudar o produtor a identificar alterações na movimentação do rebanho. No caso da Fazenda Camarim, a principal mudança relatada foi a redução das idas ao campo para conferência dos animais.

A Polícia Civil e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul mantêm estruturas específicas para crimes rurais, como as Delegacias de Polícia Especializadas na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato e a Delegacia Online do Agro.

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