A polícia da Bolívia prendeu, na quarta-feira, o procurador-geral Roger Mariaca, dois dias depois de os Estados Unidos revogarem seu visto por supostos vínculos com o narcotráfico. A informação foi confirmada à agência AFP por uma fonte do Ministério do Governo boliviano. “A prisão do Procurador Mariaca foi confirmada”, afirmou a fonte.
O promotor de Santa Cruz, Alberto Zeballos, que também foi alvo de sanções dos Estados Unidos, foi preso, segundo informações divulgadas pela imprensa local. Os dois estavam entre quase 20 pessoas da Bolívia, Colômbia e Equador que foram alvo de acusações do Departamento de Estado americano nesta semana por supostos casos de corrupção, ligações com o tráfico de drogas ou conspiração contra seus respectivos governos.
Na quarta-feira, a polícia também realizou buscas na sede da promotoria em Sucre. A ação foi transmitida ao vivo nas redes sociais da instituição. Durante a operação, a chefe de comunicação do órgão, Claudia Pardo, afirmou que a intervenção era ilegal e denunciou a presença de policiais encapuzados no local.
Segundo a agência Reuters, um funcionário da promotoria relatou, durante uma transmissão ao vivo, o que classificou como um “sequestro” de Mariaca. A imprensa local informou que o procurador-geral foi detido no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou, na segunda-feira (28), que Mariaca teria recebido subornos para facilitar o tráfico de drogas e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça.
Mariaca negou as acusações e afirmou, em comunicado divulgado na segunda-feira, que a medida adotada pelos Estados Unidos representava um ato de “interferência” e “pressão política” em resposta às investigações conduzidas por ele.
Ao todo, os Estados Unidos revogaram os vistos de 12 funcionários bolivianos. Outros nove cidadãos da Bolívia, que não tinham visto americano, ficaram inelegíveis para obter o documento.
O caso ocorre após a prisão, na Bolívia, do narcotraficante latino-americano Sebastian Marset, que permaneceu foragido por anos. No início deste ano, ele foi entregue às autoridades dos Estados Unidos depois de ser preso no país.
Marset estava na lista dos fugitivos mais procurados pelos Estados Unidos e foi entregue a agentes da Administração de Repressão às Drogas (DEA) no aeroporto de Santa Cruz. Em seguida, foi levado em um avião americano, segundo imagens exibidas pela televisão estatal.
Em março, Marset compareceu pela primeira vez a um tribunal federal na Virgínia.