A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na sexta-feira (2), que inclua a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil em uma ação sobre suposta interferência estrangeira nas eleições. O atendimento foi interrompido dois dias antes do primeiro turno, marcado para este domingo (4).
Os advogados da coligação argumentam que a medida pode gerar insegurança e afetar o ambiente eleitoral. Segundo a petição, reproduzida pelo SBT News, a interrupção dos serviços integra um conjunto de episódios que a campanha atribui à atuação do governo norte-americano em favor de interesses da oposição brasileira. Trata-se de uma alegação apresentada ao tribunal, ainda sujeita à análise judicial.
O documento menciona reportagens segundo as quais a ordem teria partido do secretário de Estado, Marco Rubio, e aponta uma suposta articulação envolvendo Flávio e Eduardo Bolsonaro. A campanha também cita planos atribuídos a Flávio, candidato do PL à Presidência, de promover mudanças no Itamaraty inspiradas na gestão de Donald Trump.
O governo dos Estados Unidos apresentou uma justificativa diferente. O comunicado divulgado na quinta-feira (1º) atribuiu a suspensão a preocupações com a segurança. À Reuters, o Departamento de Estado informou que trabalhava em cooperação com as autoridades brasileiras, sem relacionar a medida à eleição nem indicar uma data para a retomada dos serviços. O órgão também tem rejeitado acusações de interferência eleitoral.
Na mesma sexta-feira, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar um suposto planejamento de atos contra instalações diplomáticas norte-americanas. Segundo nota oficial da PF, a operação teve caráter preventivo e resultou da cooperação com agências de inteligência estrangeiras.
Até a divulgação do comunicado, a corporação não havia encontrado elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados nem identificado suspeitos com vínculos com organizações criminosas. A investigação continua sob sigilo, com análise dos equipamentos de comunicação e das mídias apreendidos. Essa conclusão preliminar não equivale ao encerramento da apuração.
Outro elemento apresentado pela campanha é uma carta dos senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch a Rubio. O documento antecede a suspensão consular e manifesta preocupação com pressões diplomáticas, econômicas e políticas do governo Trump sobre o Brasil. Os parlamentares também cobram o reconhecimento do resultado das eleições brasileiras e a manutenção das relações com o candidato escolhido pelos eleitores.
A Austrália também fechou sua embaixada em Brasília na sexta-feira, citando o alerta de segurança dos Estados Unidos.