O Brasil registrou uma taxa de analfabetismo inferior a 5% entre pessoas com 15 anos ou mais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do avanço, o país ainda enfrenta desafios relacionados ao letramento, já que milhões de pessoas têm dificuldades para compreender textos, interpretar informações e aplicar a leitura e a escrita em situações cotidianas. Nesse cenário, iniciativas de alfabetização de jovens e adultos buscam ampliar o acesso à educação e oferecer novas oportunidades para quem não pôde estudar na infância ou precisou interromper a formação.
Uma dessas iniciativas é o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos, criado em 2018 pelo Instituto Yduqs e ampliado em 2026 com o apoio do Instituto Equatorial. A parceria expandiu a atuação para Maranhão, Pará, Amapá, Piauí, Goiás e Alagoas, fortalecendo ações de inclusão educacional em diferentes regiões do país. Desde sua criação, o programa já beneficiou mais de 2 mil pessoas. Gratuito, o curso tem carga horária de 120 horas, distribuídas ao longo de quatro meses, e utiliza situações do cotidiano para facilitar o aprendizado.
Além de ensinar a ler e escrever, a iniciativa busca fortalecer a autonomia, a confiança e a participação social dos alunos. As aulas contam com a monitoria de estudantes de Pedagogia da Estácio e da Wyden, que vivenciam a prática docente enquanto contribuem para a formação dos participantes. Para Janaína Ali, coordenadora do Instituto Equatorial, a alfabetização amplia o acesso ao mercado de trabalho, aos serviços públicos e à informação, além de favorecer o exercício da cidadania e o desenvolvimento das comunidades.
A trajetória de Vanda da Silva, de 81 anos, exemplifica o impacto do programa. Moradora de Goiânia, em Goiás, ela voltou à sala de aula com o objetivo de aprender a ler a Bíblia sozinha e conquistar mais independência nas tarefas diárias. Mesmo enfrentando dores que dificultam o ritmo de aprendizagem, a aluna afirma que pretende continuar estudando. Para Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs, a parceria proporciona conquistas que vão além da alfabetização, como autonomia e confiança. A iniciativa reforça a importância da educação ao longo da vida para reduzir desigualdades e ampliar as possibilidades de participação na sociedade.