Saiba quem é Márcio Canella: de prefeito de Belford Roxo a alvo de prisão da PF

Deputado estadual eleito é investigado em esquema que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos

Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. Ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo União Brasil, ele é investigado por suspeita de envolvimento em uma organização criminosa que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.

Foto: Reprodução
Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella recebeu a segunda maior votação entre os candidatos à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

A investigação aponta que o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A informação consta de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à Polícia Federal. A operação também apura a participação de agentes públicos e uma suposta articulação político-institucional para favorecer o esquema.

Nesta quinta-feira, a PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios do Rio de Janeiro. Além de Canella, foram presos o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e quatro policiais civis. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas, sendo 96 postos de combustíveis.

Quem é Márcio Canella

Canella tem 49 anos e construiu sua carreira política em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Foi vereador, vice-prefeito e prefeito do município antes de retornar à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2026, chegou a ser pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e recebeu apoio público de Flávio Bolsonaro. Rogéria Bolsonaro, mãe do senador e ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou a ser anunciada como suplente na chapa.

A candidatura ao Senado, porém, foi abandonada após a prisão em julho, quando Canella foi detido em flagrante durante uma fase anterior da Operação Unha e Carne. Na ocasião, a PF encontrou um fuzil de calibre restrito no carro em que ele estava. Canella afirmou que a arma pertencia ao policial responsável por sua segurança.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), posteriormente revogou a prisão preventiva e impôs medidas cautelares ao político. Entre elas estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.

Eleição para a Assembleia

Depois de desistir da disputa pelo Senado, Canella voltou a concorrer a uma vaga na Alerj. Nas eleições de 4 de outubro, recebeu 197.178 votos, tornando-se o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro.

Belford Roxo foi seu principal reduto eleitoral. O município concentrou 133.956 dos votos obtidos pelo político.

Antes da eleição, a Procuradoria Regional Eleitoral havia questionado a candidatura de Canella, citando a prisão de julho e investigações sobre possíveis vínculos com o crime organizado. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, entretanto, autorizou a candidatura.

Nova prisão

A prisão desta quinta-feira é um novo desdobramento da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de postos de combustíveis suspeita de funcionar como estrutura para lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros crimes. As acusações ainda são objeto de investigação e não representam condenação.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Além das prisões, foram determinadas medidas para bloquear patrimônio dos investigados e interromper as atividades de empresas apontadas como integrantes da estrutura investigada.

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