Em agosto de 2026, o Brasil registrou um novo recorde no número de empresas inadimplentes, atingindo a marca de 9,3 milhões, conforme dados da Serasa Experian. Esse cenário representa um aumento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Sudeste é a região com o maior número de empresas negativadas, sendo São Paulo o estado líder, com 3.173.156 companhias nessa situação. Minas Gerais e Rio de Janeiro também figuram entre os estados com maiores volumes.
As micro e pequenas empresas são as mais impactadas, somando 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes e concentrando R$ 211 bilhões em dívidas. Cada uma dessas empresas possui, em média, sete contas negativadas.
Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, aponta que a elevada taxa de juros é um dos fatores que contribuem para esse cenário desafiador. Apesar da redução da Selic para 13,75%, o impacto nas finanças das empresas ainda é limitado.
No setor empresarial como um todo, as dívidas somaram R$ 244,4 bilhões distribuídas em 68,2 milhões de contas negativas. O setor de Serviços lidera em registros de inadimplência (56%), seguido pelo Comércio (32%) e Indústria (8%).
Além disso, a demanda por crédito cresceu significativamente nos últimos meses. A concessão para capital de giro aumentou impressionantes 113,9%, sugerindo que as empresas estão buscando recursos para manter suas operações diante do cenário econômico adverso.
Os registros negativos são majoritariamente associados a setores não financeiros. Os serviços essenciais como energia e água representaram 6,7% das dívidas negativadas.
A economista destaca que administrar múltiplas obrigações financeiras torna-se ainda mais complexo num ambiente econômico menos dinâmico e conclui que as empresas precisam intensificar seus esforços em planejamento financeiro para enfrentar tais desafios.