ONU alerta para impacto global do El Niño intenso
Fenômeno climático ameaça regiões com secas e inundações.
A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou a urgência de medidas preventivas diante do fenômeno climático El Niño, que pode atingir níveis de intensidade nunca antes registrados. As temperaturas podem subir até 3,8°C acima da média, um patamar que supera as escalas tradicionais de monitoramento.
Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), enfatizou a necessidade de ações coordenadas para minimizar as consequências humanitárias. "Não podemos impedir o El Niño, mas podemos mitigar muitos de seus efeitos devastadores", afirmou em Genebra.
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Tom Fletcher, chefe das operações humanitárias da ONU, alertou que o fenômeno trará impactos severos à América Latina, África Oriental e Austral, Ásia e região do Pacífico. Ele prevê choques econômicos e aumento nos deslocamentos populacionais devido a secas e inundações.
Mobilização internacional
Uma resposta coordenada em escala global é crucial, segundo Fletcher. O Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU já liberou mais de 50 milhões de dólares para apoiar 11 países vulneráveis, incluindo Chade, El Salvador e Etiópia.
Fletcher também pediu que países e instituições financeiras disponibilizem recursos antes que os danos se tornem irreversíveis. "Somália, Etiópia e Quênia precisam de ajuda antes das chuvas fortes; o sul da África precisa se preparar para o plantio; América Central requer suporte imediato", detalhou.
Efeitos do El Niño
O fenômeno natural provoca aquecimento das águas no Pacífico equatorial central e oriental, alterando ventos e padrões climáticos globais. A OMM prevê que o atual episódio alcance sua máxima intensidade no fim de 2026.
A elevação inédita das temperaturas oceânicas preocupa especialistas. "Nunca registramos valores tão altos", observou Saulo. Ela ressalta que a intensidade do El Niño não determina sozinha suas repercussões regionais; outros fatores climáticos podem influenciar seus efeitos.