Os 34.330 votos registrados após as 17h no segundo turno da eleição presidencial não seriam suficientes para alterar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). O número foi identificado em levantamento da Setup News, divulgado pela CNN Brasil, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença entre os candidatos ficou em aproximadamente 4,43 milhões de votos, mais de cem vezes esse volume.
A comparação dimensiona o alcance numérico da votação depois do horário inicialmente previsto para o encerramento. Mesmo na hipótese de todos esses registros terem sido destinados ao vencedor e serem descontados de sua votação, a vantagem permaneceria superior a 4 milhões. Esse cálculo não identifica a escolha dos eleitores que votaram naquele período, mas mostra que o total levantado é insuficiente para inverter o resultado.
Segundo a Setup News, 29.001 votos foram registrados entre 17h e 17h05, cerca de 84,5% dos identificados após as 17h. A concentração nos primeiros minutos exige cuidado ao interpretar os dados. O horário do registro, isoladamente, não demonstra que o eleitor só conseguiu votar em razão da prorrogação. Também não deve ser confundido com o momento em que os resultados da seção foram transmitidos ou divulgados.
A extensão da votação até as 19h foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a relatos de dificuldades no transporte de eleitores. Em esclarecimento publicado no domingo (25), o TSE informou que a continuidade se aplicava somente aos locais onde a votação ainda não havia sido encerrada às 17h. A orientação não previa a reabertura generalizada das seções que já tinham concluído os trabalhos.
Na mesma nota, o tribunal anunciou que retomaria o recebimento dos boletins de urna, a totalização e a divulgação dos resultados depois das 19h. São etapas diferentes do ato de votar. Por isso, o fato de votos aparecerem no sistema de resultados durante a noite não significa que tenham sido registrados pelos eleitores naquele horário.
No Piauí, o transporte também motivou intervenção judicial. O TRE-PI determinou, no domingo, que a Prefeitura de Teresina, a Strans e as empresas restabelecessem a frota e a frequência dos dias úteis. O tribunal exigiu os registros das viagens realizadas e encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral, sem reconhecer previamente a ocorrência de ilícito. Essa apuração trata da oferta de ônibus e do acesso às urnas, questão distinta da quantidade de votos registrada após as 17h.