O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira (27) uma nova operação de recompra de títulos da dívida pública para conter oscilações no mercado financeiro. A medida, autorizada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ocorre depois de o governo recomprar mais de R$ 14,8 bilhões em papéis na segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A operação anunciada contempla Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), títulos cuja remuneração combina a inflação medida pelo IPCA com uma taxa de juros. Serão abrangidos papéis com vencimentos em 2030, 2035, 2040 e 2045. O Tesouro também cancelou o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), vinculadas à Selic, que estava previsto para esta terça-feira.
Nos leilões tradicionais, o governo vende títulos para captar recursos. Na recompra, faz o movimento inverso, adquirindo papéis que já estão nas mãos dos investidores. Ao oferecer uma alternativa para quem deseja vender, o Tesouro busca reduzir a pressão sobre os preços e evitar movimentos bruscos nas taxas de juros. A atuação não garante, porém, que as oscilações sejam interrompidas.
A nova intervenção amplia as medidas adotadas na véspera. Na segunda-feira, o órgão já havia suspendido os leilões de títulos prefixados, que têm juros definidos na compra, e de papéis corrigidos pela inflação previstos para esta semana. O leilão de títulos ligados à Selic havia sido mantido inicialmente, mas também acabou cancelado nesta terça.
Segundo a Agência Brasil, Durigan atribuiu a instabilidade a uma mudança nas expectativas dos investidores diante do resultado eleitoral. Na avaliação do ministro, parte do mercado havia apostado na vitória de outro candidato e passou a reorganizar suas posições após a vitória de Lula. Ele afirmou que o objetivo da atuação é reduzir oscilações excessivas, sem estabelecer um nível específico para os preços dos ativos.
Para quem investe em títulos públicos, é importante distinguir a rentabilidade contratada das variações de preço durante a aplicação. Quando as taxas exigidas pelo mercado sobem, os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação tendem a cair. Essas mudanças afetam o valor recebido por quem vende antes do vencimento. Conforme as regras do Tesouro Direto, quem mantém o título até a data final recebe a remuneração prevista no momento da compra, independentemente das oscilações de preço ao longo do período.